A modernidade, presente em todos os tempos, é sempre recorrente como um moto-perpétuo. Inexorável, faz com que gerações se distanciem uma das outras, em médio prazo dificultando a comunicação entre pessoas de faixas etárias distintas e até mesmo a atualização de todos sobre novos conhecimentos.Conceitos a revisar 1

A população mundial envelhece enquanto as tecnologias se rejuvenescem. O aprendizado acadêmico – em escolas e universidades -, por exemplo, e mesmo aquele vivenciado através do dia-a-dia, ficam rapidamente obsoletos na medida em que novos conhecimentos emergem. Raramente tomamos consciência de mudanças ao tempo em que elas ocorrem, dada a velocidade e o volume com que incidem em nossa vida diária.

Em termos acadêmicos, qualquer formando de uma faculdade ao receber seu diploma já colocou o pé no obsoletismo. Novos preceitos, impostos pelas tecnologias desenvolvidas em tempo real, são burocraticamente incorporados aos currículos universitários exigindo dos profissionais, de qualquer área, permanente atualização visando minimizar o prejuízo. Enquanto isso, as sociedades ficam à mercê, não raro, de procedimentos e protocolos de qualidade duvidosa.

A capacitação de profissionais para realizar um trabalho de excelência está a exigir profundas transformações na forma de ensinar e aprender: da educação infantil ao doutorado. Uma revisão de conceitos! Alguns países desenvolvidos já “casam” as tecnologias disponíveis com a formação humana – e não apenas profissional – de seus cidadãos. O que requer uma visão política e econômica responsável, consciente – além-limites – visando o bem estar de suas populações.

Fico com a nítida impressão de que as gerações mais jovens vêm surgindo mais inteligentes, mais abertas, menos receptivas a alguns sistemas de ensino e, muitas vezes, também, da educação por familiares que não avançaram no tempo. O distanciamento a que me referi no primeiro parágrafo deste texto não deverá ser reduzido até que as gerações mais velhas se disponham a, também, ouvir e aprender com as mais novas. Sabedoria e experiência podem e devem caminhar juntas, lembrando sempre que a percepção de problemas e dificuldades do presente – ainda que semelhantes aos de um passado – podem não ter soluções idênticas, exigindo um novo olhar.

Revisar conceitos enraizados que visem engrandecer valores, ética, moral desprovida de hipocrisia e permita, ainda, maior interação entre gerações na busca da formação do ser humano além-diplomas, seria bem-vinda em sociedades que avançam apenas com os olhos fixos no retrovisor.

Sem mais.

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