Por enquanto não dáAs sociedades sempre foram estruturadas e governadas pela hierarquia. No caso dos humanos, ela rege a organização das leis, do Estado, militar, empresarial, religiosa, até mesmo familiar. Nos agrupamentos animais, a hierarquia é de dominância, tendo o leão, considerado o Rei das Selvas, como um belo exemplo.

Nós, terráqueos, aprendemos desde cedo que a hierarquia é um fenômeno natural em nossas vidas, que perdura por toda a existência. Voluntariamente ou não, a submissão à ordem sempre existiu e – quando não aceita – implica em manifestações de rebeldia e revolta.

Conviver nesse ambiente exige a incorporação de símbolos que objetivam destacar o indivíduo em seu meio como, por exemplo, togas no caso de juízes de Direito, uniformes e patentes dos militares, vestes e adereços dos religiosos, tamanho e localização das salas dos executivos empresariais, imponência das moradias, modelos de carros e roupas de grife dos meros mortais. São valores preciosos para não poucos. Em realidade, estamos nos referindo a Poder e à discriminação velada causada por quem pode – e tem mais – sobre quem vive em condição inversa.

Politicamente, por exemplo, vivemos em um sistema de governo que se diz democrático, mas que conta com nuances plutocráticas (onde os representantes políticos atendem aos interesses daqueles que os apoiaram financeiramente no processo eleitoral) e, ainda, aquelas cleptocráticas (onde o governo é gerido por indivíduos que se utilizam da representatividade pública para construir riqueza).

A natureza humana possui em seu DNA o vírus do “poder” inoculado. Sua virulência pode ser catastrófica não apenas na área política, mas também e sem discriminação, nos demais organismos. A verdade é que desde que a primeira bactéria surgiu neste planeta a luta pela sobrevivência e “lugar ao sol” vem se desenvolvendo com arbitrariedade. O grande engole o pequeno, o maior o menor, o mais forte o mais fraco.

Nossa passagem pelo planeta não é longa, o que tem nos levado a querer tirar leite de pedra durante a vida útil e deixar de lado – sem qualquer preocupação maior – as circunstâncias e fatores que nos permitiriam desfrutar de uma vida mais profícua na acepção da palavra. Não temos conseguido separar o joio do trigo, relegando importância ao que é realmente importante. E aí reside o dilema, pois o que é importante para uns, não o é para outros.

Caso a espécie humana fizesse melhor uso de seus neurônios e compreendesse que existe algo mais além do desenvolvimento tecnológico com seus produtos e subprodutos, talvez, quem sabe, pudesse a humanidade fazer um escambo entre os mais de sete bilhões de bípedes pensantes, permutando tudo o que é bom e útil com o seu vizinho – esteja ele ao lado de casa, na Cochinchina ou no polo norte.

Mas quero crer que esse é assunto a ser resolvido para depois que esta criação- rascunho tiver sido passada a limpo… Por enquanto, não dá!

Assim, aproveito para agradecer sua presença aqui o ano todo, desejar-lhe um Natal em harmonia junto à família e amigos e encarar o Novo Ano com otimismo e esperança.  Boas Festas!

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