Office life

Encontro no dicionário doze significados distintos para a palavra crise. Não por acaso, debruço-me sobre dois pertinentes aos tempos “kamikazes” que enfrentamos: “momento histórico indefinido ou de riscos inquietantes” e “fase de transição entre um surto de prosperidade e outro de depressão ou, vice-versa”.

A primeira definição nos remete às questões que estamos a assistir (e sofrer) com os mandos (e desmandos) da vergonhosa política, inferior, praticada por aqueles que você, eu e um montão de gente colocou em Brasília, palácios de governos e prefeituras para definir e conduzir nossos destinos em sociedade. Lamentavelmente, até que venhamos a ensinar nas escolas, desde o grau fundamental, o que é ética, moral e responsabilidade com a “coisa pública”, pouco poderemos avançar. 

A segunda, não menos importante que a primeira, mas mais saudável, nos oferece a oportunidade de revermos conceitos de vida há muito reclamados, abrindo caminhos para reflexões. Todas as sociedades, não apenas a nossa, influenciadas por uma globalização de resultados discutíveis, vem sofrendo alterações profundas em suas culturas, modo de viver, reavaliação de valores.

Em uma corrida frenética na busca permanente do consumo desenfreado, a qualquer custo, que ilude e desagrega em nome de uma quimera, relegamos a um segundo (terceiro?) plano aquela qualidade de vida simples, que mais oferece que priva.

Oportuna, a meu ver, sábia colocação do ex-presidente do Uruguai, José Mujica, em recente entrevista quando faz apologia da sobriedade: “o consumo desenfreado nos leva a gastar não o dinheiro, mas sim, tempo de vida: tempo gasto para ganhar o dinheiro e adquirir o supérfluo desperdiçando uma qualidade de vida que não volta mais”. A ponderar!

A crise econômica que nos encurrala oferece, neste momento de vacas magérrimas, rara oportunidade para revermos hábitos e anseios de consumo, priorizando a qualidade de vida em detrimento da busca incessante da quantidade de bens.

As crises política e econômica irão passar, novos tempos surgirão, como a história tem nos ensinado ao longo dos séculos. Ensejo para fazer o dever de casa! 

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)