Não vos deixeis 1Por décadas, nosso sistema judiciário – lento e mal aparelhado – não conseguiu coibir inúmeras falcatruas e agir com firmeza –  estimulando, assim, fraudes de toda ordem, corrupção sem punição, enriquecimento ilícito de pessoas acima de qualquer suspeita.

Mas estamos a viver, nos anos recentes, situação inversa. Apesar da bandalheira espraiada entre governos, políticos e pesos pesados das indústrias e do sistema financeiro (inclusive internacional), a Justiça brasileira, agora mais preparada e atuante, tem se revelado eficiente com demonstrações inequívocas no exercício exemplar de suas funções.

Poucos anos atrás, até mesmo cidadãos comuns mais esclarecidos desconheciam o “modus operandi” e a existência de vários organismos institucionais como STF – Supremo Tribunal Federal, MPF – Ministério Público Federal, PGR – Procuradoria Geral da República, CGU – Controladoria Geral da União, AGU – Advocacia-Geral da União, DPF – Departamento da Polícia Federal (ágil e eficiente).

Hoje, a familiarização com estas instituições e suas siglas se fazem presentes em nosso dia-a-dia. Um passo à frente em nossa história, na educação – ainda que subliminar – de uma população carente de formação cívica!

Ademais, o crucial momento político exige reflexão, participação e orientação, principalmente aos mais jovens, adolescentes. Imperativo forjarmos uma geração que acredite em seu país, seus governantes, seus valores.

Não nos esqueçamos que somos uma nação que não se envolve em guerras nem chora por filhos perdidos em combate, livre de ameaças terroristas, protegida de climas inclementes, que tanto destroem vidas como lares e economias. E com uma população – que apesar de viver em clima de insegurança nas cidades, sofrer com um sistema público de saúde próximo do inexistente, ser legislada e governada por cidadãos dignos de repúdio – ainda assim, não se vê condenada abandonar tudo e arriscar sua vida tentando sobreviver com a roupa do corpo em outro continente. 

Ensinemos aos nossos filhos que a tentação de corrupção é inerente ao ser humano e não vai desaparecer nunca. Nem aqui nem em qualquer outro lugar do planeta. Mas ensinemos também que a impunidade não sobrevive diante de Instituições Jurídicas sólidas e descompromissadas, de um Legislativo representativo à nossa imagem, de um Executivo sem pretensões de perpetuidade. Mas, sobretudo, nosso comportamento individual diante de situações tentadoras.

Não se trata de utopia! Encontramos países com esse perfil. Comecemos a transposição em casa e na escola usando a mais poderosa das armas: a informação e o exemplo.

“Não vos deixeis cair em tentação”!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)