Formadores de opiniãoFamosos do mundo dos esportes, das artes cênicas, da televisão, estão sempre em evidência – o que os coloca em posição de destaque tornando-os, de uma ou outra forma, pessoas formadoras de opinião. Voluntariamente ou não, influenciam todas as faixas etárias com ênfase maior, arriscaria afirmar, nos adolescentes e jovens adultos.

Em uma sociedade exposta, diuturnamente, às mídias on-line, ao vivo e a cores, receptiva a todo tipo de consumismo e modismos, o mercado que abocanha aquela significativa parte da população não é desconsiderável. Haja vista o investimento pesado em marketing nos clubes de futebol, jogadores profissionais das várias modalidades, pilotos de Fórmula 1.    

Limitando-me à indústria do futebol, por exemplo, que movimenta bilhões de euros – a moeda forte -, revelam-se absurdos os investimentos, desde a aquisição de clubes na Europa por magnatas do oriente médio à compra de jogadores hábeis no trato da bola, por fortunas que poderiam atender milhões de pessoas a serem beneficiadas por saúde digna do nome e educação em países carentes.

E o que mais impressiona – e preocupa – é o mundo em que vivem os artistas da bola com não poucos recebendo 10, 20, 30 milhões de euros por um ano de “trabalho”. Vivem de dar espetáculos televisionados para o mundo inteiro, com milhões de torcedores-telespectadores a vê-los jogar enquanto bombardeados por comerciais milionários de todos os tipos. A final da Champions League, por exemplo, foi assistida por uma plateia de 600 milhões de pessoas. Em um mega comércio bilionário, onde se vende de tudo, a desigualdade entre seres da mesma espécie se revela assustadora. Em que mundo estamos vivendo?

Nesse universo apaixonante, habilmente produzido por um marketing agressivo que nada deixa escapar, os “mega stars” são apresentados como verdadeiros deuses, ídolos que são. Não são poucos os que, irresponsavelmente, no entanto, projetam uma imagem que – aos olhos dos mais inocentes – parecem invocar um modo de vida aceito sem reservas, descompromissados com valores e princípios.

Esta é uma era midiática, sem limites sobre o que se dizer, se mostrar, se resguardar, colocando em cheque o valor do compromisso com as normas pelas quais uma sociedade civilizada deveria se orientar, formando opinião. Mas, qual a qualidade dessa opinião nos campos, moral, social, político? Talvez por não outra razão o conceito de permissividade tenha sido relaxado e, grosseiramente, jogado para escanteio. A ponderar.

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