O fiel da balança“ Descendente de imigrantes irlandeses católicos pobres, Joseph “Joe” Patrick Kennedy – patriarca do clã mais famoso dos Estados Unidos – venceu todas barreiras sociais da época ganhando dinheiro. Há inúmeras versões para seu enriquecimento. Consta que vendeu uísque durante a Lei Seca e foi agiota. Banqueiro em Wall Street e empresário da Broadway, em Nova York. Membro do Partido Democrata, ganhou do presidente Franklin Roosevelt a presidência da Comissão de Valores Mobiliários, SEC, órgão federal encarregado de vigiar o mercado financeiro. Quando perguntaram a Roosevelt por que nomeara um escroque para a SEC, o presidente respondeu: “É preciso um escroque para reconhecer outros escroques. ” (Izalco Sardenberg – Magia dos Kennedy – 25-10-2010).

Conhece-se pela história, através dos séculos, que o enriquecimento de pessoas e empresas nem sempre se dá por caminhos “ortodoxos”. O exemplo citado acima, ocorrido no século passado, não é uma novidade no mundo dos negócios e da política. Nem privilégio de sociedades do primeiro, segundo ou terceiro mundos. Vale tanto para nações ricas e democráticas como para as paupérrimas, governadas por ditadores enriquecidos pela corrupção e favorecimentos concedidos.

Por aqui, estamos acompanhando, desde algum tempo, a conhecida Operação Lava-Jato. Operação que vem desnudando aos olhos da sociedade brasileira o grau (assustador) de corrupção governamental, política e empresarial aliado a favorecimento político que buscava a perpetuação no poder.

Não apenas os donos de empreiteiras e congêneres estão envolvidos. Executivos dos diversos escalões e diretorias das organizações têm sido coniventes na manutenção do propinodutos. Como se permitir fazer parte de esquemas nebulosos e lesivos ao patrimônio público é a questão. Profissionais bem formados, em sua maioria, se rendem ao canto da sereia, ao enriquecimento – por menor que seja – ilícito, comprometendo sua reputação perante a família e a sociedade em que vive.

A questão maior é como se comportar diante de uma situação de fato, diante do pessoal do “andar de cima”, correndo o risco de perder o emprego, aquele salário mais que atraente e mordomias que fazem com que o status já adquirido venha a ruir profissional e pessoalmente.

A verdade é que a subida na escada da hierarquia em grandes instituições requer compromissos nem sempre valorados pela ética e a moralidade. Negócios são negócios e, ou se está dentro ou fora, sem dó nem piedade por que a fila anda…A imagem, por certo, deve ser familiar para muitos dos que estão a enfrentar situação como a descrita.

Corrupção e cantos de sereia sempre existirão. As circunstâncias, as ambições e os princípios observados por cada um, colocados na balança dos objetivos pessoais, há de pender para um dos lados. Os pratos são os mesmos, mas os pesos não. A ponderar!

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