What`s upO assunto era uma discussão em torno dos avanços tecnológicos. O ambiente, um daqueles programas de televisão onde as pautas incluem política, acontecimentos do cotidiano, eventos e celebridades. Em dado momento – em que o tópico da vez era comunicação e relacionamento – uma conhecida jornalista, do alto de seus trinta e cinco anos, considerava que telefone para ela era “démodé” (fora de moda)! E que só se comunicava, ou “falava”, com as pessoas por mensagens no WhatsApp!

Nada surpreendente neste mundo cada vez mais virtual. Para os de minha geração, no entanto, ainda que antenados e mantendo-se atualizados, paira no ar um quê de saudade sem saudosismo. Afinal, o aparelho, até tempos recentes (nem tanto…), era um troço chamado de telefone, que surgiu negro com um disco no centro e números, dentro de mínimos círculos, de 1 a zero.

Ao se fazer uso do dito aguardava-se a “linha”, discava-se, e se a dita (linha) não estivesse “ocupada” falava-se. Época em que adolescentes ficavam “pendurados, horas”, no telefone namorando (modo virtual de então…), fofocando e irritando pais e interessados em se comunicar com assuntos de importância a ouvir o enervante “toin, toin, toin”. Não houve adolescente daqueles dias que não tivesse tomado “broncas homéricas” por assim se comportar (eu fui um!)

O WhatsApp tem suas virtudes, até por ser gratuito. Sou fã das tecnologias inovadoras – que vieram para simplificar nossas vidas e nosso trabalho no dia-a-dia, colaborar com a medicina facilitando a realização de exames complexos menos invasivos e oferecendo diagnósticos mais precisos, disponibilizando “ferramentas” para a engenharia conceber o que, até poucos anos atrás, parecia inconcebível. Além das telecomunicações, por óbvio.

Não seria de estranhar, portanto, que a esta altura, já esteja em desenvolvimento lá pelas bandas de Santa Clara (sede da empresa), na Califórnia, um aperfeiçoamento do aplicativo que permita ao usuário transmitir mensagens com “emoções” como só acontece quando se usa a voz ou a imagem. Não surpreenderia nesse mundo high-tech.

Assim, a meu ver, a comunicação de relacionamento, qualquer que seja ela, não deveria dispensar a inserção de, pelo menos, uma pitada de emoção. Até o silêncio mais profundo, no momento certo, nas circunstâncias certas, pode ser transmitido com emoção. Portanto, caríssima e competente jornalista, me perdoe, mas uma vozinha chorosa, amorosa, ansiosa, desesperada, sedutora, carinhosa exige mais que um teclado. A menos que, descompromissadamente, se queira apenas saber “What´s up?” 

(*) O que está rolando?

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)