Não somos todos iguais 1Nascemos, crescemos, somos enviados à escola para sermos alfabetizados e, dependendo de circunstâncias várias, prosseguirmos na trilha traçada por aqueles que arquitetam os preceitos para nossa educação. O assunto educação é debatido desde sempre por educadores de todos os matizes, objeto de controvérsias quanto às diretrizes a serem seguidas, assunto complexo, às vezes desvinculado da realidade dos tempos.

Como privilegiado que teve a chance de se formar em um curso superior, olhando para trás, questiono, desde há muito, a forma como somos “educados”. Desconsiderando aqueles que por falta de oportunidade não conseguiram ser premiados com uma escolaridade decente, todos os demais são obrigados a “rezar pela cartilha” vigente por mais ultrapassada que ela esteja.

Vivemos momentos de alto desenvolvimento tecnológico e pesquisas espaciais que nos levarão a enfrentar novos e desconhecidos mundos. No entanto, com exceções, ressalve-se, continuamos a teleguiar os jovens – a partir do ensino médio – para optar por uma carreira, que depois de um vestibular comercializado, deverá pautar suas vidas visando a sobrevivência econômico-financeira ao longo da existência.

Não somos, infelizmente, preparados em escolas e universidades para desabrochar nossos talentos inatos, visando desfrutar de uma vida mais feliz, profícua, pessoal e profissionalmente. Fazemos parte da manada que, uniformizada, é olhada como sendo igualitária em termos de aptidões, vocações naturais, talentos.

Não somos ensinados a enfrentar a vida com seus desafios, suas oportunidades, suas perigosas curvas sem avisos, suas belezas expostas diante de nós, prontas a serem desfrutadas. Mas é preciso aprender sobre matérias engessadas, logo esquecidas, que nada acrescentam às nossas vidas no dia-a-dia “depois de formados” em qualquer nível.

Não somos todos iguais, possuímos estruturas mentais distintas, instintivamente gostaríamos de optar por caminhos outros que não o obrigatório por regras rígidas. Mas na maior parte das vezes não nos é dada a oportunidade de escolher, em tentativas de erros e acertos, a colocar para fora nossa vocação natural, naturalmente, vivenciando opções de vida não estereotipadas, perseguindo a realização pessoal, buscando se conhecer, antes de trilhar a estrada de mão única.

Uma profissão deveria ser efeito e não causa!

Como nos ensinou Aristóteles, na sua Metafísica: O todo é maior do que a simples soma das suas partes.

A ponderar!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)