Precisamos de um pouco maisDifícil falar-se em comportamento, por aqui, nos dias de hoje. Regras de conduta a serem observadas nas mais variadas situações inexistem para considerável parte da população. E para sermos justos, atingem todas as classes sociais, dependendo das circunstâncias. Quando escrevo sobre temas como educação, formação de opinião, redes sociais, não raro sinto-me expondo pensamentos aos ventos e areias do deserto; às vezes, nômades passando ao largo sorriem como a dizer: “ Pois é!”

Mas como cada um é um, os que se arriscam a expor livremente suas ideias e pensamentos – já que fazem parte de uma sociedade dotada de voz – estão sujeitos à apreciação dos que se encontram do outro lado do balcão. E esta é a fórmula que nos ensina a ponderar sobre pensamentos distintos dos nossos levando-nos a não fazer parte do “Clube da Maria vai com as outras”.

Assim, atrevo-me a lembrar que – exceções válidas a parte – nós brasileiros não primamos pela educação em ambientes diversos no país ou no exterior. Sem a pretensão de ser extenso, limito-me a apreciar o comportamento de torcedores que comparecem aos Jogos Olímpicos, no Rio, assistindo a algumas modalidades e que se permitem agir como se estivessem na casa da sogra complacente.

Além de evidenciar para cerca de três bilhões de espectadores ao redor do mundo – ao vivo e a cores – a falta de educação e esportividade ao assistirem disputas que requerem a concentração dos atletas ao competirem, ficamos “carimbados” com marcas que denigrem a imagem do país. Não nos basta sermos um povo alegre e receptivo. Precisamos de um pouco mais!

Especificamente, nas competições de esgrima, tênis de mesa e natação, até agora, foi um auê! Os atletas envolvidos, educadamente (vamos aprender…), referiram-se às gritarias de modo até benevolente.

Vivendo em uma época que celulares tocam durante concertos de música clássica, cinemas, almoços, consultas médicas, cultos religiosos, provavelmente até em momentos íntimos…, não surpreende. Cultura? Despreparo na educação recebida? Falta de exemplo?

Talvez, quem sabe, se ensinarmos às novas gerações como usar o tom de voz adequado ao falar com seus semelhantes em diversos ambientes, fazer uso do Smartphone com propriedade, comportar-se com comedimento quando exigido, possamos – sem perder nossa alegria contagiante e apesar de termos apenas 516 anos de idade – “zerar a conta”.

Isto tudo, naturalmente, se quem for ensinar já aprendeu…. Mas esta é uma outra história.    

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