Olimpíada e seus legadosA Olimpíada Rio 2016 está chegando ao fim e apesar dos diversos contratempos – alguns noticiados e outros nem tanto – pode-se considerar que o saldo foi positivo. O espetáculo de abertura foi, na acepção da palavra, um “espetáculo”! O país demonstrou ao mundo que apesar de desorganizado e indisciplinado é capaz de surpreender com sua maestria escondida em recônditos desconhecidos. Muitas foram as lições que, se devidamente processadas, poderão vir servir como um “upgrade” na gestão pública e privada.

Até o momento em que este artigo está sendo escrito o Brasil ganhou 11 medalhas, sendo 9 por atletas vinculados às Forças Armadas dentro de um programa de alto rendimento dos ministérios da Defesa e do Esporte, criado em 2008 e que apoia 670 atletas. Um recado para nossas Universidades e empresas que poderiam – e deveriam – investir na formação de atletas em programação contínua. O resultado é flagrante!

Nossa cultura, reconhecidamente, é de país que sempre deixa tudo para a última hora. Exemplo é que, em apenas 48 horas, o Comitê Olímpico e a Prefeitura do Rio de Janeiro demostraram capacitação para resolver os problemas de acabamento nos diversos prédios da Vila Olímpica entregues prontos… com chave na porta. Conclusão: a exemplo da formação de atletas, faz-se necessário rever os currículos das escolas, desde o ensino fundamental – introduzindo-se ano, após ano, até o fim do ciclo – aulas sobre disciplina, no sentido mais amplo, organização, no sentido mais amplo e respeito por compromissos assumidos, no sentido mais amplo. Tarefa hercúlea!

Em termos de segurança ficou claro que não basta trancar a porta da frente deixando a da cozinha aberta. Dentro desse contexto, uma lição nos foi dada pela família do técnico alemão de canoagem, Stefan Henze, – ex-campeão olímpico – vítima fatal de acidente quando viajava em um taxi, no Rio. Autorizou a doação de seus órgãos para brasileiros, imediatamente após sua morte, sem qualquer burocracia. Para refletir sobre o gesto!

Não devemos nos lamentar sobre os inúmeros problemas na Rio 2016 – que não foram pequenos – deixando nódoas aqui e ali. O país tem diante de si a oportunidade de rever e repensar condutas e procedimentos não apenas nas atividades esportivas – onde o coletivo decepcionou, mas o individual, humilde, as mais das vezes, se destacou.

O legado deixado pela Olimpíada em termos de infraestrutura não deverá ser deixado ao léu nem ser utilizado politicamente por inescrupulosos. O Rio de Janeiro ficou mais bonito, mas ainda inseguro para ser desfrutado em toda plenitude por cariocas e turistas de todas a s partes. Com segurança efetiva, poderá voltar a ser, realmente, a Cidade Maravilhosa.

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