À procura de um GaryEfetuando pesquisa na internet eis que me deparo com uma informação que enriquece não só meus parcos conhecimentos como, possivelmente, os seus também.  Aprendi que o nome profissional de “Gari” é uma homenagem ao francês Pedro Aleixo Gary, primeira pessoa a assinar um contrato de Limpeza pública com o Ministério Imperial, organizando assim, a partir do dia 11 de outubro de 1876, a remoção de lixo das casas e praias do Rio de Janeiro. Vencido o contrato em 1891, entrou seu primo, Luciano Gary. Um ano após, a empresa foi extinta e inaugurada a Superintendência de Limpeza Pública e Particular da cidade, realizando um trabalho muito aquém do proposto em termos de limpeza pública…

Os cariocas, acostumados com a limpeza das ruas após a passagem dos cavalos, mandavam chamar a turma do Gary e, aos poucos, o nome se generalizou. Assim, os homens e mulheres que exercem a atividade são, até hoje, chamados garis.

Com a política nacional em plena efervescência e emanando odores que até os menos sensíveis narizes podem suportar, procura-se no mercado um Pedro Gary. Alguém capaz de realizar o trabalho de limpeza dos detritos produzidos pelos políticos brasileiros, detritos estes que vêm se acumulando, há décadas, na política nacional.

Recentemente, assistimos à vergonhosa conduta de deputados federais membros da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados, criada para julgar o malabarista e ainda deputado Eduardo Cunha, ex-presidente da dita, por seus “malfeitos”. Comportando-se como escolares indisciplinados, mal-educados, atores de uma pantomima televisada para o Brasil e o mundo, seus colegas do Senado Federal com um pouco mais de verniz (mas não muito) deram, também, demonstrações de não primarem pelo já desgastado decoro parlamentar durante as etapas que se seguiram visando encerrar o processo de “impeachment” de Dilma Vana Rousseff.

Inacreditável conceber-se que as duas Casas do Legislativo Federal possuam apenas uma minoria ilibada – sem contas a prestar com a justiça –  para julgar colegas com rabos presos e até mesmo uma Presidente da República. Temos sido objeto de chacota no mundo inteiro pela demonstração de falta de seriedade e comprometimento com a coisa pública. Se por obra do destino este país encontrar um Pedro Aleixo Gary da política (ou fora dela, para a ela incorporar-se), ainda assim precisaremos de duas gerações educadas e conscientes de seus deveres cívicos para sermos considerados uma nação séria e respeitada.

Mas por enquanto, é tapar os narizes!  

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)