jugaadEm Hindi (uma das línguas oficiais da Índia em nível federal), a palavra acima não possui tradução para o inglês ou português. Muito conhecida pelos indianos, ela poderia ser traduzida como “gambiarra”, em português, ou pelos ingleses, “um quebra galho para um complexo problema”. 

Simplesmente uma questão de conceito, haja vista que se trata de uma forma de ver as coisas e – na Índia – mais que uma palavra, adquire forma conforme o uso que dela se faça: a exemplo da “gambiarra”!

Recentemente foi lançado um livro, em inglês, cujo título poderia ser “A Inovação Jugaad: Pense Frugal, Seja Flexível, Remova Barreiras” (em tradução livre). Seus autores: Navi Radjou (estrategista em liderança com base no Vale do Silício, California, EUA), Dr. Simone Ahuja e Dr. Jaideep Prabhu (professor e diretor da Universidade de Cambridge).

O conceito fundamental do trabalho desenvolvido pelos três é: “Inovação é a chave para o sucesso de empresas no mundo todo, mediante abordagem frugal e flexível da inovação no século 21”. E mais: “projetos de pesquisa e desenvolvimento dispendiosos e processos de inovação sofisticados não tem mais lugar no mundo de hoje”. Lembra que Índia, Brasil (acredite) e China devem ser olhados como exemplos de uma “Inovação Jugaad”.

Para se entender melhor os conceitos e exemplos mencionados no livro sugiro que assista a alguns dos diversos vídeos sobre “Jugaad” no Youtube ou acesse o tema no Imagens do Google.

Trago à reflexão este assunto pois não é segredo para ninguém que o brasileiro é extremamente criativo, inclusive com aquele já famoso “jeitinho” que dá lugar à inventividade. Nossos jovens inventores – presentes até em escolas do ensino médio – têm sido premiados em diversos concursos internacionais. Casos como o da mineirinha de apenas 18 anos que pesquisa o desenvolvimento de uma pele artificial para ajudar pessoas queimadas; das gauchinhas que desenvolveram um asfalto produzido a partir de plástico reciclado; ainda do RS, dois universitários que criaram um dispositivo que impede os motoristas de caminhão de ligarem o motor, caso tenham consumido bebida alcoólica.

Inúmeros são os exemplos, infelizmente pouco divulgados pela imprensa e redes sociais. Se somos lembrados por aquele trio que escreveu – mostrando e demonstrando – a capacidade mais que criativa de cidadãos que não pertencem ao primeiro mundo e nem dispõem de recursos, é hora de não nos depreciarmos e investirmos pesado na educação, visando enfrentar uma nova Era com “nossa Inovação Jugaad verde-amarela”.

E por que não, dar crédito àqueles com pouca formação, mas muita criatividade?