utopia-ou-sobrevivenciaO mundo dos grandes negócios sempre esteve unido ao da política e inclinado a negociatas. A ambição desmedida pelo poder, seja ele econômico, financeiro, religioso ou de Estado, está enraizada naqueles que a ele almejam. Assistimos, desde tempos imemoriais, a invasões de países visando a expansão territorial e a incorporação de riquezas presentes abaixo e acima do solo. No passado remoto, ouro, prata e até mesmo posse da água, justificavam ações sangrentas cujas vitórias eram cantadas em verso e prosa e vencedores aplaudidos como heróis. Assassinatos políticos em nome do dito (poder) estão presentes na história desde A.C.  

No mundo empresarial a conivência com políticos e juristas de renome e prestígio, produz a alquimia que transforma a água em vinho, a pedra em ouro, o ilegal no legal. A cartilha rezada pelos grandes conglomerados econômicos não está disponível para aqueles que conduzem seus negócios com lisura seguindo normas e leis. Quanto mais tentáculos possui uma empresa, mais difícil se torna sua sobrevivência –  caso não se disponha a compactuar com o verdadeiro subterrâneo da ilegalidade.

Governos e governantes dificilmente permanecem de fora em grandes questões que envolvem a segurança nacional – como fornecimento de petróleo e gás – e socorro a poderosas empresas que enfrentam dificuldades financeiras buscando o auxílio generoso do Estado para não quebrarem. Governantes são eleições-dependentes e estas contam com a contribuição direta ou indireta de megaempresários em acordos de São Francisco (“ é dando que se recebe ”…). Aqui ou em qualquer lugar; exemplo marcante são os Estados Unidos da América, considerada a maior democracia do planeta (apesar de tantas incongruências).

O sistema econômico vigente na maior parte do mundo é perverso. Assistimos a exemplos na África onde muitos países ricos em bens naturais tem populações paupérrimas governadas por ditadores com contas na Suíça. Até poucos anos atrás Líbia, Egito e Tunísia eram governados por ditadores sentados em seus tronos há décadas. O da Síria vem perpetrando um verdadeiro genocídio em seu país.

Parece ser que democracias e ditaduras não enrubescem quando praticam políticas de natureza duvidosa e negócios pouco transparentes. Caminham juntas, barganhando privilégios em detrimento do bem-estar de suas sociedades. O binômio truculência das ditaduras e negociatas nas democracias expõe o quadro de sofrimento e desalento de milhões de pessoas impotentes. Há que haver um sistema de vida em sociedade que não marginalize uma pessoa sequer.

Utopia, direis vós. Sobrevivência da espécie, rogo eu!

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