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Catástrofes e tragédias ocorrem, quase sempre, sem aviso prévio. O impacto causado por uma notícia atinge a cada um de nós de modo diverso. O drama pode ser sentido com maior ou menor intensidade se conhecido pelos jornais, assistindo à televisão ou comunicado verbalmente por alguém. Próximo à ocorrência, vivenciado, o choque pode tomar proporções indescritíveis.

Indescritíveis porque reagimos de maneira distinta diante de desastres. Porque depende de nosso histórico de lembranças – fruto de experiências pessoais ou que afetaram pessoas próximas – expectativas de como encaramos a vida, consciência de nossa finitude. Em realidade, porque a tragédia poderia ter acontecido comigo ou com você!  

Quando se trata de acontecimentos envolvendo pessoas famosas a reação pode ser de incredulidade, surpresa, até mesmo de inconformismo. Em qualquer situação, no entanto, nossos mecanismos de defesa atuam de modo específico, tentando estabelecer compensações inconscientes, até que os fatos sejam assimilados por inteiro.  

O acidente com o avião que transportava a equipe de futebol da Associação Chapecoense de Futebol, de Santa Catarina, e jornalistas de São Paulo e do Sul – na madrugada de terça feira última, dia 29 –  é mais um que se apresenta como oportunidade de reflexão sobre o fenômeno da vida e sobre o que ele significa. Sem que se encare a frase como sendo de filosofia de botequim!

Vivemos boa parte de nossas vidas mirando o futuro, almejando atingir objetivos que imaginamos garantir o sucesso e o bem-estar, sacrificando dias – senão anos – de convívio com aqueles que amamos, deixando quase sempre para depois aquele telefonema, aquele abraço no amigo ou amiga, a manifestação escancarada de nossos sentimentos. Realidades que podem não vir a acontecer!

A Monja Cohen – budista – nos lembra que “se você mantiver seus olhos focados no horizonte muito adiante, não verá o buraco aos seus pés”. Mas não é preciso ser devotado a qualquer religião para tomar consciência de que somos os protagonistas de nossas vidas. Lamentavelmente, apenas em momentos de dor, ausências, doenças, perdas, a maioria de nós faz uma introspecção profunda, não raro aliviado por não ser o atingido pelo infortúnio.

Somos imperfeitos, egoístas, descrentes. Pretendemos ser autônomos e independentes, mas em horas da verdade, o que somos de fato? A ponderar.

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)