o-canto-da-sereiaEmpresas de todos os portes possuem – e privilegiam – pessoal bem formado e competente, eis que esse é o seu mais valioso patrimônio. Os talentos das organizações, por outro lado, não desconhecem seu “status quo” e, por óbvio, buscam seu lugar ao sol dentro da corrida que alimenta suas ambições.

A perseguição aos objetivos deixa em seu rastro alegrias e tristezas. As alegrias dispensam comentários enquanto as últimas deixam marcas, são difíceis de serem digeridas e agravadas nos casos em que o nível de competência é questionado.

Em um universo de regras nebulosas, competência é condição necessária – mas insuficiente – como bem o sabem os que nele vivem. Os mais veteranos em disputas por aquele lugar ao sol não desconhecem que o apadrinhamento de superiores incompetentes, puxadas de tapetes, “fritadas” em qualquer escalão e grau de comprometimento fazem – ou podem fazer – a diferença.

A fidelidade e o comprometimento irrestritos com os princípios das organizações contam pontos e, até mais, muitas vezes, que a competência e o conhecimento. Princípios ditados por objetivos nem sempre cristalinos, ressalve-se. 

Não existe empresa-anjo – nacional ou multinacional. Nem aqui nem na Cochinchina. Vez por outra tomamos conhecimento de empresas poderosas que foram fortemente abaladas por gestões duvidosas, por falta de transparência! E a história se repete sempre.

No Brasil, estamos assistindo ao desmanche da mafiosa Odebrecht. Maior empreiteira do país, fruto de faturamento de bilhões de reais via subversão, com obras de envergadura aqui e no exterior, encontra-se em fase de delação premiada. A sofisticação de seus negócios – sustentados por corrupção desenfreada de membros da política brasileira – incluía, até, um departamento responsável pelo assédio, contabilidade e controle de todos os políticos venais – nome a nome – ora investigados pela Procuradoria Geral da República.

Setenta e oito diretores e gerentes da construtora, inclusive seu presidente, integrantes do esquema sem precedentes, já estão a observar o pôr-do-sol, em ocaso. Por fidelidade ao andar de cima e ambição desmesurada, dispuseram-se a entrar na delinquência, comprometendo sua imagem pessoal e profissional, deixando mulheres e filhos à deriva na desonestidade escancarada.

Assim, muitos, em suas carreiras, honestos, são preteridos na escalada por motivos pouco convincentes. Acontece todos os dias, em todos lugares. Enfrentar o canto da sereia, em um país como o nosso, é tarefa árdua. Mas há quem o faça. Ainda bem!

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)