gestando-um-novo-brasilVivemos em um Brasil feudal. Em uma sociedade que gravita em torno de feudalismos vários como o econômico, o político, o social o esportivo e, não raro, o judiciário. Onde o corporativismo se faz presente – e forte – em todos aqueles feudos e, também, nas áreas de Saúde, Segurança, Imprensa, Entretenimento e até mesmo da Educação.

O Brasil malandro, do jeitinho brasileiro para tudo – até por sua habilidade engenhosa e criativa para resolver problemas sérios e vários de que tanto nos orgulhamos – não consegue sobreviver sem a mácula da corrupção endêmica.

Em tempos idos – quando o futebol era assistido em arquibancadas de concreto, jogadores tinham “amor à camisa” e os torcedores sabiam na ponta da língua a escalação de seu time – criou-se a mítica “Lei do Gerson”, cracão de bola à época e protagonista de um anúncio de cigarro cujo mote era “ O importante é levar vantagem em tudo, certo? ” A frase, usada por gerações, espelhava de modo inequívoco uma mentalidade que perdura até hoje…salvo erro ou engano.

Os que que tem vivido os tempos recentes, no entanto, começam a vislumbrar no fundo do túnel uma luz de decência, probidade, competência, luz que brilha, é verdade, quase que na marra por obra e graça da ressurreição de um Ministério Público Federal, agora atuante e responsável, Juízes Federais de primeira instância – em sua maioria capacitados para desempenhar suas funções suportando todo tipo de pressão dos “suseranos” de plantão – de uma Polícia Federal equipada com homens, mulheres e tecnologia de ponta.

Pelo andar da carruagem, quero crer que podemos acreditar na gestação de um novo capítulo na História do Brasil que venha a ensinar em seus livros futuros que o país conseguiu, no século XXI: acabar com o abominável foro privilegiado de políticos e suas imunidades parlamentares; encarcerar bandidos de colarinho branco e com curso superior em celas também ocupadas por meliantes que não possuem qualquer privilégio; pôr fim às vergonhosas regalias usufruídas por senadores e deputados federais; sancionar uma lei Áurea que aboliu a “suserania” de políticos e congêneres, levando a população a desfrutar de saúde e educação dignas de uma sociedade abonada.

Estamos, finalmente, quebrando os ovos para fazer a omelete.

(Este texto está protegido pela Lei nº 9.610/98)