Como você reagiria se, no Brasil, a população elegesse um presidente que nunca tivesse ocupado qualquer cargo no governo ou no legislativo anteriormente; que – em suas primeiras semanas no Planalto – tivesse demitido o ministro interino de Justiça; fosse obrigado a aceitar a renúncia de seu general-chefe da Segurança Institucional; proibisse, mediante decreto, autocraticamente, a entrada de estrangeiros “seletivos” no país; cancelasse, abruptamente, a visita programada de um chefe de Estado; travasse guerra pelo Twitter com parlamentares, imprensa, famosos do mundo esportivo e artístico; não tivesse, após semanas à frente do Executivo, sequer nomeado metade de seu ministros; e ainda, enfrentasse protestos de rua quase diários pelo país afora. 

Assustador, para se dizer o mínimo. Mas como provavelmente sabe, isto está acontecendo na maior potência econômica e militar do planeta: Estados Unidos da América. O protagonista de tamanha aberração é aquele senhor caricato visto durante as campanhas para indicar e eleger o presidente do país: o multimilionário Mr. Donald J. Trump.

A considerada maior democracia de todos os continentes, que se encontra presente em várias frente de guerra, atuando decisivamente no combate ao Estado Islâmico e, naturalmente, protegendo seus interesses econômicos, comerciais e de segurança nacional mundo afora, tem como Comandante-Chefe, Mr. Trump! Intempestivo, com o “botão” ao acesso de sua mão, uma temeridade!

Cedo, ainda, para avaliar-se os reflexos no resto do mundo – e por aqui, sem dúvida – do resultado das eleições presidenciais na Holanda, em março, na França, em abril, e Alemanha, em setembro, onde radicais – xenófobos, racistas – vem se manifestando como força eleitoral de peso. O Reino Unido, se despedindo da União Europeia com a implantação do Brexit traz mais dúvidas que certezas. A polêmica sobre os refugiados no Velho Mundo deixa vácuos de incertezas.

E por aqui, em 2018, quando o país estará convocando eleições, inclusive para presidente da República, alguém com o perfil de DJT poderá aparecer, na onda da Europa e dos EUA. Nomes de presidenciáveis, sempre em evidência, mas que bem poderiam estar já defenestrados, estarão no páreo. Alguns novos (nomes) começam a despontar, ainda sem alarde, aguardando o momento para dar, literalmente, o bote.

Momento de, portanto, ficarmos atentos para aqueles candidatos que, em 2018, com talento para oratória “a la Rui Barbosa” e ideias perigosas, vejam com bons olhos tornar este país “mais brasileiro, mais seguro e mais desenvolvido”.

A ponderar.