Pesquisando informações sobre educação alimentar sou confrontado com duas realidades distintas. A primeira não é segredo para ninguém, mas já a segunda, bem que poderia servir de espelho para os que enxergam Educação como sendo algo além do ensino de matérias em sala de aula.

 Segundo o IBGE, atualmente uma em cada três crianças no Brasil está pesando mais do que deveria. Apesar de nem todos os pais e mães com obesidade gerarem filhos com o problema, pais e mães dentro do peso podem, também, ter filhos com obesidade. A causa pode estar nos hábitos alimentares da criança e da família, bem como a ausência de atividades físicas.

Assim, como você receberia uma “lei” comprometida com políticas para manter o sobrepeso da população sob controle, investindo pesado em programas de nutrição e educação para a saúde? É o que nos revela Katrin Engelhardt especialista em nutrição da Organização Mundial da Saúde – em entrevista à BBC Mundo –  sobre o sucesso japonês de manter níveis baixos de obesidade e sobrepeso em todas as idades da população.

Uma lei, denominada “Lei Shuku Iku” (vigente desde 2005), estabelece cardápios saudáveis nas escolas e contratação de nutricionistas profissionais que possuam formação como professores para dar aulas específicas sobre alimentação. São medidas que fazem parte de uma campanha nacional chamada “Saúde Japão 21”.

Shuku faz referência à comida, à dieta e ao ato de comer, enquanto Iku se refere à educação intelectual, moral e física. A lei prega, ainda, a promoção de uma cultura social ao redor da comida. O que isso significa: as crianças são estimuladas a preparar e compartilhar alimentos nos colégios, ajudar a pôr a mesa, servir umas às outras e comer todas juntas.

Estamos a falar de Educação Alimentar e, sobretudo, de Saúde!

A indústria do alimento insalubre – protegida por leis coniventes – investe bilhões em propaganda, desinformação e “lobbies” contribuindo para a degeneração da saúde da população, principalmente crianças e idosos. Em nome do lucro pelo lucro!

Por aqui, a sociedade, desamparada, não conta com a proteção do Estado nem na Educação nem na Saúde. Permitindo, com sua omissão, que a primeira comprometa a segunda por ausência de políticas “visíveis”, contribuindo para o enriquecimento da indústria irresponsável e intocável.  

Imagine-se, no entanto, a situação de nosso país hoje caso fôssemos vítimas habituais de terremotos, tsunamis, vazamento nuclear em usinas e tendo sido, ainda, vítima de duas bombas atômicas há apenas 72 anos. Caso do Japão! Pois é!

Somos abençoados e não percebemos!

A ponderar.