Jogo de futebol é apaixonante para milhões de pessoas ao redor do mundo. Nas últimas décadas, foi transformado em negócio bilionário para clubes e jogadores de talento, principalmente na Europa. Torneios e campeonatos os mais diversos, estrutura de marketing também bilionária, levam os jogos até os píncaros da audiência pela televisão.
Visibilidade para empresas, marqueteiros, clubes e jogadores. Lucros estratosféricos para todos os envolvidos. Inclusive novos proprietários de clubes tradicionais: árabes, chineses, norte-americanos!

Incluído na minoria inconformada com o “desequilíbrio e distorções” gerados pelo multibilionário futebol-negócio – apesar de assistir a jogos eventualmente – ainda me recordo da paixão pelo futebol de uma época em que se sabia de cor e salteado a escalação de um time aqui na terra tupiniquim. Época em que jogadores – muitos tão craques, ou mais, como os de agora – andavam de ônibus e que, além dos salários, melhoravam seus rendimentos com os “bichos”. Sem qualquer saudosismo!

O mundo mudou, ficou mais consumista e egoísta, levando os boleiros a se tornarem atores, tornando-se verdadeiras mercadorias, num comprar e vender incessantes, onde a moeda vigente passou a ser o euro. Ônibus deram lugar a Ferraris, Porches e Bentleys, dados de presente aos peloteiros, visando sua propaganda institucional. Chuteiras, meias, camisas, calções, cuecas, bandanas, expostas em campo durante 90 minutos e vistos por milhões pela TV, levam os “craques” a faturar alto com seus “patrocinadores”.

Alegar-se que apenas uma minoria é privilegiada – se considerarmos o grande universo que o negócio da bola é – não torna menos significativa a distorção entre os que investiram seu tempo de “formação” apenas em treinos, a custo zero para si – com baixa ou nenhuma escolaridade – e aqueles que, não raro, com enorme sacrifício, frequentaram a escola para poder exercer uma profissão e aguardar por uma aposentadoria depois de 35 anos de trabalho e contribuição.

Questão polêmica, estou certo, que não me traz alento algum. Quando após os jogos você clica o botão do controle da TV e encara a realidade, ela se apresenta como de fato é: com desigualdades abissais. E, aí, sempre indago aos meus botões: por que tamanha distância entre a realidade de uns e a de outros? Certamente existem respostas de filósofos, teólogos, sociólogos e outros “ólogos”.

Em suspense, melhor driblar esta questão, respirar fundo e aguardar um segundo tempo. Quem sabe possamos virar o jogo?