A julgar-se pelo noticiário, o país vive um estremecimento político, social e econômico sem precedentes. Mas temos a memória curta. O espaço em nossos “arquivos” fica cada vez menor dado o volume absurdo de informações que somos obrigados a digerir.

Os problemas e dificuldades ora enfrentados não são novos nem recentes; muitos assolam nossa sociedade desde os tempos do Império – corrupção, por exemplo – e outros, como a caducidade de leis. A Consolidação das Leis do Trabalho, criada mediante Decreto em 1943, apesar das diversas alterações sofridas ao longo dos anos, é anacrônica. Encontra-se em debate no Congresso Nacional visando sua modernização.  

A Previdência Social, também em discussão, nasceu com características de “seguridade” que emergiram ainda à época do Império, como no caso do Plano dos Oficiais da Marinha no século XVIII e a concessão de aposentadoria para professores, no século XIX. Depois de emendada e remendada por décadas – superada e falida – encontra-se, também, na pauta das reformas em discussão.

Deveríamos, em sã consciência, comemorar os tempos que estamos a viver no país. No “prelo”, uma página memorável no combate à corrupção – pela primeira vez de frente e corajosamente; borracha sendo passada no “photoshop” de políticos descompromissados com a ética e a probidade; implantação de uma política econômica séria e competente visando tirar o país do atoleiro a que foi submetido.   

Não há como se realizar um parto natural sem dor ou fazer omeletes sem quebrar os ovos!

Estamos a contestar trecho do Hino Nacional – “deitado eternamente em berço esplêndido” – e a rascunhar um futuro de paz e prosperidade para nossa sociedade. Sem sofrer as tragédias de uma Síria em guerra civil há anos, de um Afeganistão sempre invadido por potências estrangeiras, conflitos armados como no Congo, Ruanda, Libéria, Somália, na África, vivemos em uma democracia sólida e inquestionável.

O mundo mudou: levamos milênios para inventar o avião, descobrir a penicilina, o raio laser. Mas há pouco mais de quarenta anos já estivemos na Lua, descobrimos a estrutura tridimensional da molécula de DNA, estamos a aplicar o laser nas cirurgias médicas e pesquisas científicas, entre tantos. Em breve, visitaremos Marte.

Usufruindo de nossas riquezas naturais e capacitação tecnológica – dependendo apenas de uma mentalidade que venha a abolir o arcaico e, também, aquela dos antigos “coronéis” do sertão e seus currais eleitorais – abriremos espaço para vitalizar a Educação, a Saúde e a Segurança Social: alicerces para o desenvolvimento sadio de qualquer país.     

Somos grandes demais para perdermos o bonde da História!