Estamos sendo, literalmente, entupidos com um volume alarmante de informações de todos os tipos e para todos os gostos, liberados via internet e televisão. Um universo sem fim de propaganda, banners que não raro dificultam a leitura de reportagens, em flagrante desrespeito ao leitor, maquiavelicamente instalados para prender sua atenção.

A avidez – e curiosidade – por informações várias leva todos a tomarem conhecimento, ainda que superficialmente, de assuntos nem sempre de interesse. A dispersão de notícias variadas leva os leitores não seletivos – maioria, creio eu – a dispender tempo útil sem que se agregue qualquer valor ao conhecimento.

A leitura, em tempos idos, foi fonte de sabedoria para informar ou distrair, sob a forma como era ofertada. Nada contra a tecnologia disponível hoje – que disponibiliza inimagináveis recursos de comunicação com grandes benefícios para nossa vida diária.

Inegável que a boa leitura é indispensável para a escrita de qualidade. A falta de tempo, talvez, e o desinteresse pela cultura variada, têm contribuído para o declínio constante da linguagem correta e sua expressão. Chegamos ao ponto de candidatos a uma vaga nas Universidades – ao prestarem exame do ENEM – terem como requisito tirarem uma nota maior que ZERO em redação! Meu Deus!

Pela lógica, se é que possa existir uma, o uso da língua escrita parece não ser importante em momentos em que ela se faz necessária para expressar – pelas letras – conhecimentos vários. Daí as dificuldades encontradas por não poucos bacharéis em colocar no papel, ou nas telas para registro e envio, a expressão de seus pensamentos.

A boa leitura, que nos torna mais cultos e articulados em conversações – bem mais raras hoje, é verdade, bastando fazer uso de “imojis” – requer reflexão e entendimento do que se lê. Afinal, apenas ler não significa compreender, haja vista o número de analfabetos funcionais (35 milhões) em um país ainda inculto como o nosso.

Há controvérsias sobre o futuro da mídia impressa. Mas a meu ver, divergência não há sobre a manutenção da capacidade de o ser humano ter que refletir e ponderar para poder se comunicar mais e melhor. A leitura de qualidade torna-se, portanto, imprescindível até mesmo para manter o cérebro ativo com toda sua jovialidade.

Mas com nota ZERO como parâmetro será que vai dar?