O mundo está em estado de alerta. Vem sofrendo as consequências da – e tentando entender a – epidemia da violência sem medida. Presente em todos os países sob roupagem distinta, mas não menos cruel, faz-nos pensar que estamos diante do final dos tempos. Estaríamos vivendo a Batalha do Armagedom?

Cumpre lembrar que a História registra, em seus múltiplos capítulos, que atos de violência e vandalismo sempre estiveram presentes na vida dos povos. Feudos europeus viveram séculos de invasões e perseguições visando a expansão de seus domínios e riqueza fácil.

A barbárie permanece nos dias de hoje e ainda assola a espécie a partir do Oriente Médio, com passagem pela Europa Central desde o início do século, atingindo, até, o Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís (MA) e UPP´s no Rio de Janeiro.

Grupos religiosos e étnicos distintos – desde tempos imemoriais e cada um com suas crenças– vêm enfrentando opositores, não raro com uma selvageria que nos faz pensar se somos realmente seres racionais.   

Não é difícil acreditar-se que o elemento catalisador de todas estas desventuras seja a ambição desmedida pelo poder. Curiosamente, as religiões pregam o desprendimento como virtude e rejeitam a inveja como violação de seus preceitos. Já as etnias, perseguem a supremacia da raça.

A epidemia da violência se faz presente, também, sem sangue derramado. Dilacerando princípios da moralidade e da ética – pilares estruturais do ser humano – destrói a credibilidade de homens e mulheres comprometidos com padrões morais da decência, da honestidade, da fidelidade à verdade: virulência comportamental de segmentos devotados à manutenção do poder a qualquer preço.

Centenas de milhares de pessoas não dispõem de um mínimo para a sobrevivência digna; centenas de milhares fogem de suas terras e até morrem em busca de uma vida menos miserável; centenas de milhares desfrutam de riquezas acumuladas por meios quase sempre ilícitos em suas origens; bilhões da mesma espécie, no entanto – diferenciados apenas por “status” – habitam a mesma casa: aquela que chamamos de Terra.   

Há uma boa razão para animais irracionais predarem: busca de alimento e sobrevivência. Mas animais racionais destruírem, violenta e conscientemente, sua própria espécie é, no mínimo, irracional.

Assim como aprendemos na escola que se a=b e b=c, então a=c, constatamos que somos todos animais irracionais. Não por outra razão – cada vez mais – tentamos fugir dos predadores nas ruas das cidades e lugares públicos, vivendo em tocas protegidas, camuflando as aparências, suspeitando de todos. 

Até quando?

A ponderar.