O Brasil foi o último país independente do continente americano a abolir a escravatura (Lei Áurea em 1888); um processo iniciado em 1850 através de uma lei que extinguia o tráfico internacional de escravos. Foram quase 40 anos para derrubar um regime abominável que bem demonstra o desprezo que o homem tem por seu semelhante, quando defrontado com a possibilidade de perder privilégios. No caso, privilégios adquiridos na primeira metade do século XVI. Era o início da produção de açúcar no Brasil fazendo uso da mão-de-obra escrava nos engenhos do Nordeste. Triste sina!

Os tempos mudaram, as tintas usadas para pintar quadros semelhantes também, mas as razões e motivos para o rebaixamento moral e desvalorização do trabalho permanecem os mesmos em sua essência. Leis e reformas de leis tem sido necessárias para democratizar as relações humanas. Sem sucesso. A exploração do homem pelo homem continua disfarçada por altruísmos dignos do mais elevado repúdio.

A Constituição Federal, em seu Artigo 5º, assevera que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

Seria a Justiça cega, a Constituição mal redigida ou interpretada, ou, ainda, estaria o poder econômico blindado por políticos e magistrados? A Lei Áurea foi promulgada para os escravos. Mas a verdade é que toda a população não foi ainda alforriada! A desigualdade entre os que convivem e vivem em uma sociedade compartilhada pelos três poderes – e aquela dos míseros mortais de dezenas de milhões de brasileiros que sobrevivem à própria sorte é… abissal.

Somos escravos e reféns submetidos às vontades dos senhores de Engenho do Planalto Central – eleitos por nós uns e eleitos pelos eleitos outros tantos – todos inseridos no mais absoluto sistema de sociedade feudal moderna. Felizmente alguns já estão “a ferros” e outros a caminho. Sejam bem-vindos!

Em 1888 o país contou com uma Princesa Imperial Regente para alforriar os escravos. Quem sabe em 2018 possa a sociedade brasileira – como um todo – ser alforriada por obra e graça de um Redentor? Quem sabe possamos descobrir um Joaquim Nabuco (maior porta-voz do abolicionismo) contemporâneo em nossa seara e conseguir a redenção da ética, da honestidade, do respeito pelo cidadão no seio daqueles que deverão nos representar muito breve?

Mas para isso será preciso fazer o dever de casa!  

Por oportuno: “Ingênuo é aquele que afundou seu navio duas vezes e ainda culpa o mar. ” (Publilus Syrus – poeta italiano)