Tentei desvencilhar-me da política esta semana escrevendo sobre tema mais leve. Mas a torrente de bombásticos acontecimentos, para dizer o mínimo, levaram-me de novo por este caminho. Chegamos a um ponto tal que não permanece mais pedra sobre pedra na estrutura institucional e política do país. Desmoronamento absoluto!

Milagrosamente, a área econômica, apesar de toda a turbulência, vem dando sinais de recuperação: recuperação possível, desde que políticos de todos os matizes – e foro privilegiado – sejam catapultados. Mas há falta de catapultas no mercado!

Internamente, não devem ser poucos os que – estarrecidos – assistem à derrocada de um sistema judiciário viciado, de homens públicos sustentados por uma sociedade que – dependente do Estado – não se sustenta mais, de uma Nação que se apresenta ao mundo através de seu presidente como ignorante em matéria de História Contemporânea.

A União Soviética não deixou de existir para aquele professor de Direito Constitucional travestido de presidente da República. Tanto em discursos na Europa – Rússia e Noruega – como no Brasil, pela televisão, aquele que por força e obra do destino representa o país como mandatário, coloca em cheque a qualidade da Educação e Cultura tupiniquins.

Estamos enfrentando situações que nos remetem à classificação do país como República das Bananas. Diante de um Judiciário que se arrasta, julgando, condenando, libertando homens comprometidos até a medula, a sociedade brasileira escancara ao mundo a indiscutível realidade de Estados quebrados pela corrupção; de servidores públicos à míngua por aguardarem salários atrasados; de hospitais fechados por falta de recursos; de segurança pública em permanente guerra contra traficantes de drogas. E, vergonhosamente, até com a emissão de passaportes suspensa “ por falta de recursos ”!

Enquanto isso, a indústria das tornozeleiras eletrônicas, em franca expansão, comemora decisões judiciais tortuosas neste país onde excesso de provas envolvendo políticos corruptos não impede a emissão de salvo-condutos para quem pode mais. E, por “razões humanitárias”, consente que criminosos de colarinho branco e criminosas de decotes deixem presídios para cumprir prisão domiciliar… em suas mansões. 

Os livros de História ilustram sobre acontecimentos que guardam certa semelhança com os ora vividos por aqui. E será que o pau que bate em Chico não bate em Francisco?

Por fim, e a ponderar: “ Se eu for condenado, não vale a pena ser honesto no Brasil ” (Lula)