Desde cedo somos ensinados a procurar e a ter sucesso em tudo que fazemos. As pessoas apreciam se relacionar com os bem-sucedidos pois as fazem sentir prestigiadas perante o olhar alheio. Pessoas que “chegam lá” são amadas e, não raro, invejadas.

Tem sido assim desde sempre e não é menos verdade que o preço para atingir o estrelato e lá se manter pode ser muito alto. Não sendo suportado por muitos, não são poucos os que chegam a pagar com a própria vida as exigências e pressões advindas do sucesso.

Existem estrelas em todas as atividades praticadas pelo ser humano: esportes, entretenimento, artes, ciências, literatura, finanças, política. Muitas se tornam até ídolos e algumas com o passar do tempo – e, talvez, por falta de oportunidades – encaram o ocaso da vida prematuramente.

Imagina-se que a realização das pessoas se dê através de objetivos de vida e realizações profissionais. Quando estas últimas tomam a vanguarda, ofuscando a qualidade primordial da existência, o caos ameaça se instalar.

Conhecemos inúmeros casos de fim trágico no meio artístico por estarem seus protagonistas sob os holofotes da fama e do sucesso. Mas inúmeros outros, desconhecidos do público, convivem com o sofrimento da escalada ou manutenção do sucesso, solitariamente.

Claro está que são inúmeros os fatores que levam muitos a perseguir suas metas cegamente sobrecarregando seus corpos e mentes até estágios de incapacitação. E nesse particular, idade, sexo ou condição social, não servem de parâmetro de avaliação entre situações semelhantes.

Parece insensato ignorar que temos, todos, apenas uma vida para curtir com plenitude. A realização de sonhos – com exceções – fatalmente passa pela via do consumo, do ter, até do ostentar, para que possam se sentir integrados e aceitos em seus meios.

Nas últimas décadas, vimos observando uma transformação na mentalidade das gerações, ainda que lenta, mas gradualmente crescente. As aspirações, ambições, tem sido direcionadas para outros valores e sentimentos, levando-as a procurar uma vida mais integrada com a natureza, a conhecer-se mais e melhor avaliando antes os benefícios de enveredarem na corrida tresloucada da competição por um lugar ao sol.

Observar a manada, mas deixando fluir uma autenticidade que é só sua, vem proporcionando a muitos a oportunidade de, conscientemente, sem cabrestos, fazer escolhas que tornem possíveis a realização de seus sonhos de vida.

Realização que lhes permite atingir o “seu” sucesso e, não mais, aquele esperado por uma sociedade que sobrevive mais pela aparência que pelo respeito à integridade e respeito pelo ser.