Tenho a sensação, por vezes, de estar “pregando” em pleno deserto onde apenas o sol ardente, o vento cortante e a brisa congelante da noite se manifestam. Em realidade, abordar temas indigestos voltados para a política caseira, descompromissada com o país, não é a mais atraente das leituras.

Mas o mundo não é só política, ou só é, como assegurou-me nosso prefeito, “certa feita”, anos atrás. Assim, apesar da estrada longa já percorrida, meu inconformismo não é pequeno para o que me parece ser injustiça, falta de ética e lisura na vida social, econômica e política do país. Por isso me manifesto!

Entendo que a vida em sociedade deveria ser participativa, onde a omissão não é bem-vinda. É certo que não são poucos os que se manifestam contra ou a favor de ideias alheias, posturas e crenças. Nesse particular, sempre tive dificuldade em compreender por que as religiões – que pregam o bem e a compreensão entre os homens – chegam a digladiar-se na postulação de “sua verdade”…

Mas o assunto “relevante” da semana – excetuando-se aquele das benesses patrocinadas, com o nosso dinheiro, pelo dono da caneta mais poderosa do país, em Brasília – foi a transferência de um jogador de futebol, de um clube espanhol para outro da França, pela modesta quantia de € 222 milhões = R$ 800 milhões. Não bastasse, para concluir a transação, o boleiro ganhou um contrato de cinco anos recebendo a modesta quantia de € 769.000 = R$ 2 milhões e 800 mil mais contratos de patrocínios… por semana!!! Irracionalidade absoluta!

Que mundo é esse em que não poucos apenas sobrevivem?! E onde quantos passam fome?! Segundo a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – o número de pessoas famintas no mundo é de 795 milhões, ou seja, o equivalente à 1.5 da população da América do Norte (Estados Unidos, Canadá, México). E o mercado do futebol e políticos corruptos com isso?

A balança da justiça – cega – pende apenas para um lado. De uma ou outra forma, o mundo vem se comportando assim desde sempre. Mas, caramba, porque será que depois de milhares de anos de existência o ser humano ainda não conseguiu encontrar um mínimo denominador comum na busca da convivência pacífica e bem-estar dos seus semelhantes?

O planeta está a exigir uma nova Ordem Social!

Não é tarefa para governos nem organizações mundiais. É de toda a sociedade comprometida com seu vizinho: de muro ou fronteira. 

E você com isso?