Enquanto o boquirroto presidente dos Estados Unidos, Donald. G. Trump, não encontra nada mais útil e produtivo para fazer em prol de seu país, apenas destemperando a imagem de uma nação que se imagina maestra dos destinos do mundo; enquanto um jogador de futebol – com 25 anos de idade – voa da Europa para o Brasil em seu jato particular para passar um fim de semana navegando em seu iate de quinze milhões de reais pelas águas tranquilas do Guarujá; enquanto a Coreia do Norte, firme em seu programa nuclear, lança míssil que sobrevoou o território japonês causando perplexidade e temor pelo que vem pela frente, o mundo continua girando como uma roleta russa.

E por aqui, nesse Brasil do mulato inzoneiro, da moreninha sestrosa, da terra do samba e pandeiro – como cantava o saudoso Ary Barroso nos tempos em que gol do seu Flamengo era comemorado com uma gaitinha estridente – o país, “à merencória luz da lua”, da Aquarela do Brasil, vive altos em sua economia, em hercúlea luta para respirar, dando sinais promissores de recuperação, ainda que tímidos. Por outro lado, os políticos, pouco se lixando para o dia de amanhã dos brasileiros que vivem fora do Congresso Nacional, zombam da Justiça lenta e tardia como os Renan Calheiros, das Alagoas, com 18 inquéritos no Superior Tribunal Federal. Impunes como ele, protegidos por um execrável foro privilegiado, defendem apenas seus interesses como se lá não estivessem representando – e traindo – o povo que os elegeu. 

Com razoável bagagem de vida, vivenciei momentos difíceis enfrentados pelo país, festejei outros tantos tão ao gosto de nosso alegre e não raro irreverente povo, mas jamais assisti à penúria que grassa pelo país afora, inclusive em Estados como o Rio de Janeiro, o cartão postal do Brasil. Por lá, funcionários públicos passam meses sem receber seus salários, hospitais sem qualquer infraestrutura digna do nome ameaçam a sobrevivência de cidadãos que pagam seus impostos, a interminável violência urbana, incontrolável, já contabiliza 100 policiais militares mortos este ano – 80% dos quais fora de serviço, nos levam a perguntar: “Que país é esse? ”     

Segundo o filósofo Olavo de Carvalho, que participou recentemente da principal conferência sobre o Brasil na América – o “Brazil Conference” – realizado pela Universidade de Harvard e pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, 80% dos universitários brasileiros são analfabetos funcionais. Bingo!

 Talvez seja por isso que entender o Brasil seja tão difícil.