A epidemia da corrupção no país está alastrada em todas as camadas da sociedade. Imagina-se que esteja presente apenas no cenário político-empresarial – o que é uma visão deturpada de nossa realidade. Lamentavelmente, ouso afirmar que nossa cultura de “levar vantagem” em tudo nos ensina – desde criança – que apresentando-se uma oportunidade há que se tirar proveito dela sem qualquer pudor.

Parece estar impresso em nosso DNA que pequenos delitos são permitidos, desde que não venham a causar prejuízos a quem quer que seja. O problema está nesse “quem quer que seja”. Nem sempre fica patente quem – ou o que – sofre com os atos da ilegalidade. Ilegalidade porque fere a lei qualquer que seja ela. Desde receber ou dar “cola” na escola até ultrapassar pelo acostamento nas estradas. O primeiro é sequer considerado um delito – que claramente demonstra desvio de conduta; desvio a ser incrementado por outros tantos mais tarde na vida, incorporados em nossa rotina tranquilamente.

Exercer a cidadania vai além da conscientização de direitos e obrigações e estar em pleno gozo das disposições constitucionais. Quero crer que escolas e famílias tentam transmitir aos alunos e filhos preceitos que contribuam para sua formação como indivíduos, transcendendo a educação formal: a formação de valores e atitudes. A desigualdade social, no entanto, tem sido um entrave para a conquista de objetivos mais ambiciosos. Há um longo caminho a percorrer.

Acredita-se que militares recebam formação específica e em postura ética visando proteger a sociedade e instituições. Surpreende, pois, que semana passada unidades do Corpo de Bombeiros, no Rio de Janeiro, foram expostas ao pior tipo de corrupção: aquela que pode vir a comprometer a vida humana. Uma operação de vulto identificou 35 bombeiros suspeitos de cobrar propina para emitir alvarás fajutos para estabelecimentos comerciais. Criminosamente, expediam laudos que atestavam que exigências de segurança contra incêndio e pânico estavam sendo cumpridas, mas sem qualquer fiscalização. Criminoso atentado à Vida! Corrupção ativa e passiva declarada.

E o mais lamentável: fazem parte da “tropa de choque” dez coronéis, sendo dois da ativa e oito da reserva, oito tenentes coronéis, dois majores, oito capitães, um primeiro tenente, um subtenente, três segundos sargentos,

Mas confiando que haja luz no fim do túnel, lembramos Saint-Exupéry: “ O que dá beleza ao deserto é que esconde um poço de água em algum lugar. ”

A ponderar.