O brasileiro que não é analfabeto funcional começou, recentemente, a conhecer siglas de que jamais ouvira falar antes: STF, MPF, TSE e quantas mais. Até os mais desavisados aprenderam que Câmara dos Deputados e Senado Federal compõem o Legislativo e que “Planalto” – eufemismo criado pela Globo – significa governo. Poder Judiciário, Polícia Federal, Procuradores da República, deixaram de ser entidades desconhecidas – ou conhecidas de ínfima camada da população – passando a despertar a atenção da parte mediana-superior da pirâmide.

A intimidade crescente com esse universo não significa, em absoluto, que segmento importante da população esteja se politizando ou sendo politizado. Lamentavelmente, não! A falta de credibilidade nesses verdadeiros “nababos” que militam e enriquecem nas esferas do poder – infelizmente lá colocados por eleitores pouco ou nada esclarecidos – deixa um vácuo a ser dificilmente preenchido com lisura, competência, probidade, nas eleições ano que vem.

Nas últimas semanas, vimos assistindo à hecatombe da moralidade nacional orquestrada pelo “Planalto”. Não bastasse toda a podridão da conjuntura político-econômica entranhada nas vísceras das instituições, com visual nu e cru, o governante maior do país e o Legislativo vem dando uma demonstração inequívoca da realidade nacional.
 
O mundo observa – sem alheamento – a derrocada moral de uma nação cujo Legislativo venal se impõe para receber “benesses” de todos tipos outorgadas por um governo despudorado, com a cabeça a prêmio. Somos o país dos pactos nebulosos, desigual, cujas contas são sempre e ao final, debitadas aos “patos” desprotegidos como nós.
 
Meu inconformismo com a realidade só não é maior porque acalento, ainda, um sonho – utópico, talvez – de ver essa situação revertida nas eleições de 2018. Não sou ingênuo. Reconheço que nos faltam nomes conhecidos ou reconhecidos que possam compor uma formação política comprometida com a renovação que todos clamamos. Renovação que deixaria Ruy Barbosa – lá em cima – sorrindo por ser desmentido…
Talvez seja esta a última oportunidade de virarmos o jogo. Que só poderá se materializar através do esforço conjunto das instituições civis saudáveis, imprensa “livre” saudável, participação inclusiva saudável.
 
Certamente existem homens sérios e competentes. Que se coloquem a serviço do país lembrando-se de trecho do discurso de posse do Presidente John F. Kennedy 56 anos atrás, em plena Guerra Fria: “não perguntem o que o seu país pode fazer por vocês – mas o que vocês podem fazer pelo seu país”.
 
Para uns, mera retórica. Para mim, como cidadão, uma verdade.