Somos todos seres estressados pela qualidade de vida imposta por uma sociedade cujos objetivos, ao longo do tempo, tem sido o de criar facilidades para a vida cotidiana. O caminho escolhido, por décadas em sequência: reduzir tarefas de esforço manual pelo uso de máquinas; produzir mais – ainda que com qualidade inferior -, para atender a demanda crescente de consumo (estimulada pelo marketing agressivo); compactar espaços restringindo condições de conforto; oferecer comodidades que levam ao sedentarismo o qual – por sua vez – compromete a saúde; negligenciar na aplicação de leis que permitiriam às pessoas viver com mais saúde, em paz e tranquilidade.

Se a substituição do trabalho braçal por máquinas e tecnologia permitisse ao homem desfrutar de mais tempo para dedicar-se ao lazer; se a qualidade do que é produzido em série não tivesse data de vencimento precoce onerando os usuários; se as indústrias não se utilizassem de artifícios condenáveis que comprometem a saúde da população; se a redução dos espaços para se viver não obrigasse o homem e sua família a viver em colmeias, perdendo o contato direto com a natureza; se o respeito pelo seu semelhante fosse priorizado preservando sua integridade física e emocional; se o desperdício que leva boa parte da população mundial a conviver com a miséria e a insalubridade pudesse ser contido racionalmente… talvez nossa espécie pudesse abrir mão de “compensações” e fugas – como drogas lícitas e ilícitas potentes – para conviver em paz uns com os outros e suportar os reveses da vida com ousadia. 

Ao afastar-se do convívio mais próximo à natureza, o homem foi perdendo a sensibilidade e a percepção agudas que sempre lhe permitiram enfrentar condições adversas com maestria. A verdade parece ser: quanto maiores e mais sofisticados são os recursos colocados à disposição da espécie, ofertando uma qualidade superior de vida, maior a distância para com a pergunta “Afinal, porque estamos aqui?”

Conceitos filosóficos à parte, esta é a nossa realidade. Realidade que vive em contínuo movimento de transformação onde causa e efeito se sucedem e o livre arbítrio age governando todas as ações.