Difícil imaginar-se alguém que ao longo da vida não tenha sofrido algum tipo de fracasso ou rejeição. O comportamento, inerente à espécie humana – e animal também, por que não? – faz parte da existência de todos nós, mantendo-nos em permanente estado de expectativa diante das mais variadas e inusitadas situações.

Imaginar-se-ia que filósofos, eventualmente, dada sua condição peculiar de formação e modo de enxergar a vida, poderiam estar preservados de tais dissabores.

Pois saiba que um dos mais famosos e conhecidos filósofos da história, Aristóteles (384 a.C – 322 a.C) sofreu – como qualquer mortal e apesar de ser ele um “imortal” – com a incompreensão e vaidade dos homens, há 2.400 anos.

“ Registros históricos nos dão conta de que com apenas 17 anos, o macedônio de origem aristocrática partiu para Atenas e começou a frequentar a Academia de Platão. Desde logo, causou admiração por seu comportamento requintado e inteligência. Rapidamente se tornou o discípulo predileto de seu mestre que observou: “Minha Academia se compõe de duas partes: o corpo dos estudantes e o cérebro de Aristóteles”. Com a morte de Platão, em 347 a.C., o brilhante e famoso aluno se considerava o substituto natural do mestre na direção da Academia. Foi, porém, rejeitado e substituído por um ateniense nato. ”

Trago à reflexão estas considerações pois, “filosoficamente”, não é surpresa que nossa espécie, movida a sentimentos vários, devora a si mesma em termos de sobrevivência social. No exercício da atividade profissional, no convívio pessoal, no relacionamento entre instituições, na política, o interesse pessoal prevalece quando se trata de qualquer ameaça ao “status-quo” individual.

Não há quem escape de, pelo menos uma vez na vida, ter que enfrentar esse animal raivoso. Enfrentá-lo com a razão – e não com a emoção – certamente é o caminho mais inteligente. O aprendizado trazido pelo infortúnio pode ser a chave de um futuro promissor e de sucesso. Desde que analisado com isenção e humildade. A soberba é cega e em nada contribui para “a volta por cima”.  

Aristóteles, que além de ser filho do Rei da Macedônia e depois de ocupar o primeiro lugar no pódio junto a Platão e ter sua medalha roubada pela inveja e preconceito aos 37 anos, não se abateu e chegou a ser preceptor de Alexandre, o Grande. Deu a volta por cima!

Mas não é preciso ser filósofo, como Aristóteles, para dar sua voltinha quando e se necessário. Basta lembrar-se dele…

A ponderar!