“A Medicina é definida como um conjunto de conhecimentos relativos à manutenção da saúde bem como à prevenção, tratamento e cura das doenças, traumatismos e afecções, considerada por alguns uma técnica e, por outros, uma ciência”. (Grande dicionário Houaiss)

Ao longo das últimas décadas, sua evolução em termos de descobertas de novas enfermidades e tratamentos, tem sido notável. O mesmo se pode dizer quanto ao desenvolvimento tecnológico. Já a simbiose entre médico e paciente vem sendo prejudicada pela explícita e crescente comercialização em área tão sensível ao bem-estar da humanidade.

Talvez não sejam muitos os que se recordam da figura do “médico da família”, aquele que além de conhecer a metodologia curativa conhecia também, e bem, seus pacientes como pessoas. Era uma época em que se dispunha de um número menor de exames – inclusive invasivos – para diagnosticar doenças. As anamneses, porém, avaliavam, inclusive, a qualidade e meio de vida dos pacientes e se integravam às consultas. Consultas que tinham hora para começar, mas não para terminar, sem tempo de duração pré-determinado! Tempos em que o médico da família sempre estava disponível ao alcance do telefone.

Mas não é de hoje que somos, todos, consulentes com direito a merecer do “esculápio” sua atenção apenas por dez, quinze ou vinte minutos se tanto. Existem exceções? Certamente. Principalmente se o paciente for “particular” e não conveniado… Imagina-se, no entanto, que ao escolher a Medicina como atividade dedicada – mais que como profissão – o futuro médico tenha se sentido profundamente identificado com o ser humano e comprometido com sua saúde e bem-estar por toda a vida. E não com a rentabilidade da profissão!  

Devo ressaltar que generalizo, mas com lupa à mão.

Hipócrates – considerado o pai da Medicina –  deve ficar muito desconfortável em seu repouso eterno constatando como estão se comportando seus seguidores séculos a frente. Ele, que buscava na natureza as causas e solução para os diversos males, estabeleceu que as causas da maioria das doenças se deviam a fatores climáticos, alimentares, hábitos cotidianos e meio onde as pessoas viviam. Isto, há 2.500 anos! Sabedoria antológica.

Hoje, a medicina “automatizada”, com exames vários fornecendo os elementos para definição de diagnósticos, mas com pouco ou nenhum tempo dedicado à interação médico-paciente, deixa na saudade o quadro concebido pelo Mestre.

Saudade do médico da família!