Dez anos atrás o mundo enfrentava uma gravíssima crise financeira que ameaçava a estabilidade até de governos. Hoje, os tempos são outros, ventos das economias dos países desenvolvidos sopram a favor.  Mas como tudo é cíclico…

Àquela época escrevi um artigo abordando o tema que agora considero pertinente e a ser lembrado. Afinal, é “quando não chove, que se conserta o telhado!” Estamos em ano de eleição majoritária, mudança do inquilino do Palácio do Planalto e, quem dera, de 513 deputados federais e muitos senadores em fim de mandato que defendem com unhas e dentes apenas seus interesses pessoais.

A não ser no frio de Curitiba e pleno verão no Rio de Janeiro, a Justiça brasileira – também e com ressalvas – não parece ser tão cega nem expedita como sonha a sociedade. Daí arriscar-me a relembrar trechos de meu artigo “Lições de uma crise global” (outubro de 2008).

“Dizem que a necessidade é a mãe da invenção. Sem ação solidária todos perdem. Sem opções, as potências deixam as vaidades de lado. Suas diferenças regionais perdem importância. Seu poderio torna-se virtual. E como dizia o poeta: “Quando a fome bate na porta o amor foge pela janela”. O mundo começa a compreender que sinergia é isso: 1+1=3.

Excelente o momento para que nós, simples mortais, possamos aprender um pouco com esta situação. Não sobre finanças, economia, política internacional.  As razões desta catástrofe, que pode mexer – e muito – com nossas vidas, não têm fundamento técnico. Provavelmente serei excomungado por tal afirmação!

A meu ver, o ser humano é insaciável na busca de suas conquistas individuaisdo lucro fácil, da ostentação e do poder – seja ele econômico, financeiro, bélico ou pessoal. As instituições são geridas por homens e mulheres ansiosos por galgar posições hierarquicamente elevadas. Querem o topo! Visam conseguir uma projeção profissional que lhes permita auferir dos benefícios financeiros advindos de sua participação nas decisões. Quanto mais elevada a posição atingida, maiores as concessões a serem feitas… É a regra do jogo.

Valores pessoais e éticos ficam muitas vezes comprometidos pelo “glamour” do sucesso, pelos holofotes que iluminam seus egos, pela conta bancária generosa. A competência, a lisura, a responsabilidade e respeito pelo “outro” ficam ofuscadas quando as oportunidades duvidosas e tentadoras surgem e falam mais alto.

É chegado o momento de o individualismo se aposentar. Pensar – e agir – com consciência no todo e não apenas nas partes pode ser a tábua de salvação.”

 Qualquer semelhança com os dias atuais, por aqui, é mera coincidência.