Em 17 de março a Operação Lava-Jato aniversaria. Quatro anos de trabalho intenso e competente por parte da Polícia Federal – apesar da morosidade da Justiça – resultaram em um novo perfil dessas instituições.

O início da nova História do Brasil começou a ser escrito em junho de 2005, com as revelações de um escândalo escancarado de corrupção na política de compra e venda de votos no parlamento visando garantir a maioria do governo em todas as suas propostas. Uma democracia corrompida ou um capitalismo autoritário?

Foi a época em que o brasileiro com escolaridade começou a entender um pouco sobre siglas como STF e MPF, suas funções e protagonistas. Época de disputas ideológicas acirradas dentro de tribunais superiores e exposição de juristas competentes.

Os mais interessados no futuro do país vêm acompanhando de perto o desmoronamento de uma classe política – ministerial e parlamentar – que ainda se sustenta nos pilares de um judiciário muitas vezes claudicante e leis que permitem chicanas de todos os matizes.

A julgar-se pelas ações dos últimos anos, auditores internos – e externos de renome internacional – parecem não ser capazes de detectar, a priori, indícios de conluios, fraudes, artifícios contábeis, desvios de conduta em megaempresas. Dada a importância e conceito de empresas internacionais de auditoria, que por aqui prestam seus serviços, descarta-se a existência de algum tipo de conivência com quem quer que seja.

Mas é difícil entender-se que atos de corrupção interna passem pelo crivo criterioso de auditores gabaritados. Como consequência, empresas especializadas em detecção de corrupção dentro das organizações já fazem parte do dia-a-dia de muitas delas. A que ponto chegamos!

Não é segredo para ninguém que grandes conglomerados sempre viveram da intimidade com a corrupção. Negócios de contratos multimilionários só são fechados – principalmente com órgãos de governos – se a “lavanderia” estiver aberta e funcionando. Arriscaria afirmar que esta é uma cultura universal abrigando adeptos de perfil camaleônico.

A corrupção é – paradoxalmente –  um ótimo negócio para governos, pessoas jurídicas e físicas, auditorias, sistema financeiro, judiciário. Afinal, dependendo do olhar que a ela se dê, a corrupção se apresenta como uma ótima oportunidade para todos, sem exceção, lucrarem às suas custas.  

Uma triste realidade, por mais paradoxal que seja.