Ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento tecnológico sem precedentes vem ocupando lugar de destaque em nossas vidas alterando hábitos e costumes. Mudanças radicais, inclusive de comportamento, transformaram o perfil das sociedades levando-as a serem mais complacentes, libertas de preconceitos, mais autênticas em diversos sentidos.

Questões levantadas e respostas estão ao alcance de toques em teclas tornando nossa noção de tempo em algo que foge à percepção. Informações enciclopédicas inimagináveis anos atrás estão ao alcance de aplicativos geniais. Parâmetros, os mais diversos, têm sido modificados em nosso dia-a-dia sem que a maioria de nós atente para as consequências resultantes.

Meu filho que mora na Europa envia-me mensagem (WhatsApp, óbvio) informando que já cumpriu 1700 km de sua viagem de carro à Abisko – cidade sueca – um dos melhores locais do mundo para se observar a aurora boreal. Faltando-lhe cumprir, ainda, 1300 km, dará um ”alô” ao chegar… Num toque de tecla! Algo inimaginável em meados do século passado.

O que me faz recordar, ainda criança, da irritação de meu pai quando precisava fazer uma ligação interurbana do Rio de Janeiro para São Paulo – via telefonista: “previsão de quatro horas de demora”. Época em que tudo andava mais devagar, mas que ainda assim – e talvez por isso – dispunha-se de tempo para desfrutar prazeres outros desconhecidos hoje.

Nem melhor, nem pior. Como na contabilidade da vida, não existe crédito sem débito – senão o balanço não fecha. Ao recebermos algo, a contrapartida terá que existir. Viajava-se de avião em poltronas confortáveis, sem distinção de “classes”, mas com aeronaves mais lentas com comunicação por “rádio” (acredite). Em compensação, serviço de bordo (grátis), impecável. Os alimentos eram mais naturais, sem aditivos que “enriquecem” seu valor nutritivo e os combustíveis sem necessidade de, também, serem aditivados para melhorar a performance…

Artifícios vários usados para aumentar o lucro das indústrias desde as “classes” nos aviões, introdução de aditivos duvidosos, redução na largura e espessura do papel higiênico que você usa, alteração no peso de embalagens diversas, falta de troco de 1 centavo em supermercados que movimentam milhões diariamente, vendas a prazo “sem juros” dominam a criatividade sem fim.

A verdade é que quanto mais tecnologia para facilitar nossas vidas maior a engenhosidade de as indústrias encontrarem meios e maneiras de “morder” o seu bolso. O novo já fica velho ao sair da loja, o glamour, a camuflagem de cores, sons, imagens e odores ludibriam nossos sentidos. Sem ter para onde correr, é pegar ou largar.

Não existe almoço grátis!