A palavra envelhecer – com seus variados significados – entra no vocabulário das pessoas à medida em que transitam pela vida. Inicialmente na adolescência e durante a “primeira idade”, a expressão é usada como referência para definir… os outros. Paulatinamente, com o tempo avançando, a si próprio. Se bem que, nesse último caso, sua admissão se torna menos atraente e difícil de ser digerida.

Não há quem não atravesse o mar de ilusões que vem levando o homem – desde tempos imemoriais – a procurar pelo “elixir da eterna juventude”. E, constate-se, cada vez mais cedo na vida! Loções, poções, esteticistas, cirurgiões plásticos e assemelhados, permitem aos mais angustiados retardar – perante o espelho e olhares de seus semelhantes – a aparência que o tempo não permite esconder.

Parece ser difícil aceitarmo-nos como somos quando o viço do tempo começa a nos deixar. A vida – felizmente – não é estática. Somos levados, dia-a-dia, a enfrentar novos desafios, mas nem sempre libertos dos mais antigos. Reconhecer – e aceitar – que nossos corpos – a exemplo de tudo – sofrem com o desgaste pelo tempo é uma arte.

Você já parou para se perguntar como as pessoas com deficiência visual “enxergam” a passagem do tempo? Os males físicos que podem acompanhar – e acompanham – nossa existência não permitem, por si só, definir a idade. E, ainda assim, o ser humano associa a idade a preconceitos sobre o que seja “velho”. Estereótipos infundados formados por ideias preconcebidas!

A sociedade cunhou o termo “terceira idade” como sinônimo para – eufemisticamente – definir o que seria o idoso. Marcou a ferro e fogo a idade de 60 anos como a linha de chegada. Ícones desrespeitosos associam bengalas e figuras de homens e mulheres encurvadas pelo tempo – ainda que vigorosos e saudáveis. Até porque ninguém é absolutamente saudável!

Somos o que somos em qualquer época da vida. A saúde – essa sim – é a divisora de águas e não a cronologia.   Conhecemos “velhos” com 40 anos e jovens com 90. Cada vez mais.

Esqueça o espelho. Olhe para dentro. Não se deixe levar por preconceitos. Sua cabeça (mente) é que lhe permite levar uma vida plena. Ou não! É mais importante que seu visual. Invista nela. (E estacione seu carro em qualquer lugar…)