Em ano de eleição, a devoção dos parlamentares está voltada para a sobrevivência de seus mandatos. A manipulação na votação de projetos importantes para o país tem sido uma realidade e uma bofetada na cara do eleitor. Descaradamente!

O Executivo, sob fogo cerrado de todos os lados, tenta (por todos os meios…) se agarrar à boia da sobrevivência política sem qualquer apoio de uma base frágil que – além de ambígua – é hipócrita. Acresça-se, ainda, o fato de termos um presidente da República mergulhado em graves denúncias do Ministério Público Federal. Dantesco!

Mas é na esfera do Judiciário que respinga a gota d´água fétida. Os assuntos condenação de Lula, validade ou não de prisão após condenação em segunda instância e comportamento abominável de ministros do Superior Tribunal Federal que têm demonstrado – ao vivo e a cores – conduta incompatível com aquela que se espera mais alta corte do país, são uma amostra do caos e despudor instalado nos três poderes. Nos três poderes!

Depois da caricata e tumultuada sessão do STF, semana passada, para julgar um “habeas corpus” em favor de Lula – em que pese já existir jurisprudência a respeito -, o plenário não conseguiu decidir a questão pelo “avançado da hora” (19:00 horas) transferindo a votação para depois da Páscoa, dia 4 de abril. Mais uma semana de folga para excelências que já possuem recesso de mais de trinta dias no fim do ano e outro tanto em julho. Um desrespeito pelo trabalhador brasileiro de qualquer classe social!  Mas, e daí? 

São onze os ministros que compõem o STF. Todos indicados por presidentes da República. Além de se exibirem em plenário – posudos – com redação de votos, justificativas sem fim e citações ininteligíveis para o cidadão comum que assiste aos “espetáculos”, vossas excelências deixam escancaradas suas preferências partidárias ao pronunciarem seus votos. Olímpicos!

A verdade é que nosso Judiciário protege castas de colarinho branco, endinheiradas, e envia para o inferno prisional milhares de párias – muitos até sem qualquer julgamento –  em flagrante desrespeito ao ser humano e à Constituição. Ave Césares!

Confesso minha descrença absoluta nesse sistema que se diz democrático. Três poderes com muita pompa e circunstância distantes da realidade de um país que precisa, mais que nunca, reinventar-se. Mas sem qualquer formação e educação política, os jovens – nossa derradeira esperança -, têm sido presas fáceis de raposas e camaleões travestidos. Máfias!

E assim, com mais uma eleição à frente, é hora de trocar as fraldas, eis que o cheiro permanece fétido nos ares de Brasília.

Por isso, pense fora da caixa!