Devo admitir que sempre tive uma certa “pinimba” (má vontade) com os bancos. Afinal, são instituições que lucram sempre – independentemente da situação econômica do país – não produzem absolutamente nada e operam no azul, chova ou faça sol. Com recessão ou sem recessão, com instabilidade política ou não, com a economia global em ascensão ou não.

Permito-me tomar emprestado o primeiro parágrafo do excelente artigo publicado (Folha) por Paulo Solmucci, presidente da Unecs (União Nacional das Entidades de Comércio e Serviços) e da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes: “O Brasil já fez a revolução no agronegócio, tornou-se competidor da indústria da aeronáutica global, criou a moeda estável, passou a praticar os melhores fundamentos macroeconômicos, tudo isso depois de séculos buscando seu rumo. Só ainda não conseguiu construir um sistema bancário em linha com esse projeto desenvolvimentista. Em dado momento, parecia que iríamos resolver a pendência. Vários bancos estrangeiros vieram para cá. A alegria durou pouco. Eles caíram fora.”

Sabemos que o investimento que você faz em qualquer produto de um banco é, de fato, um empréstimo feito a ele que o remunera com juros. A diferença, gritante, está entre o que você recebe pelo seu empréstimo e o que ele (banco) cobra para emprestar seu rico dinheirinho a terceiros. Abissal!

Arriscaria dizer que os bancos chegam a formar um cartel amarrando todas as pontas da vida econômico-financeira do país: pontas onde o elo mais fraco da corrente, você, eu e demais dependentes de um sistema injusto que mais se assemelha ao da escravidão não totalmente extinta neste Brasil bom de bola.    

Dotados de alta tecnologia – desenvolvida mediante altíssimos investimentos em informática, mas rapidamente amortizados pelas ultrajantes taxas cobradas de todos nós, clientes – operam com um mínimo de mão de obra possível. Transferem, por isso e inclusive, uma série de “operações” para que você e eu as realizemos sem custo para os guardiães do nosso dinheiro. Os terminais eletrônicos e a internet fazem o serviço…com o nosso trabalho. Eis que o custo do desenvolvimento é absorvido por você ou o seu negócio.

No entanto, o saldo de sua conta corrente – que “dorme” no banco de um dia para o outro não é remunerado. E você imagina o que acontece com os bilhões de reais deixados pelos correntistas no período? Procure se informar. Agora, se você ficar com saldo negativo por apenas uma noite, sem perdão, ser-lhe-ão cobrados juros (extorsivos) + IOF (imposto sobre operações financeiras). 

Brasil, bom de bola!