O canal de TV National Geographic, semana passada, divulgou entrevistas com astronautas – homens e mulheres – que estiveram por meses fazendo experiências na Estação Espacial internacional. Os depoimentos abordaram, inclusive, as dificuldades de uma eventual viagem a Marte (9 meses) em caso de, no futuro, haver necessidade de remoção de “terráqueos” para fugir de um – não fora de cogitações – cataclismo.    

Assistindo ao programa, fui, involuntariamente, transportado à uma outra “dimensão” sob a real confrontação com nossa pequenez e fragilidade diante de um universo que ainda está distante de ser amplamente explorado e conquistado. Mas que, a deduzir-se pelo documentário, nos levará a – mais cedo ou mais tarde – ter que enfrentar a odisseia de uma viagem para Marte.  Pela sobrevivência da espécie!  

A meu ver, não se trata de ficção científica – tão a gosto de Hollywood – mas, sim, de verdadeira possibilidade que nós, míseros mortais, ainda estamos longe de compreender.

Assim, transportado para nossa realidade feijão com arroz, tive a nítida sensação de que vivemos, aqui neste conturbado planeta, uma espécie de oba-oba dando extraordinária importância ao que é dispensável por definição e sem tempo hábil para reconfigurarmos a razão de ser de nossas sociedades como se onipotentes fôssemos. 

Talvez, dada nossa fragilidade real, tenhamos sido levados a viver diante de um egocentrismo absoluto tornando-nos predadores da própria espécie. No entanto, somos categorizados, dentro do reino animal, como um ser vivo dotado de inteligência e razão há 12 mil anos.

O mais incrível: nos últimos cinquenta anos as sociedades têm vivenciado transformações mais rápidas que em toda a história da humanidade precedente. Já estamos vivendo tempos em que o volume de informações disponíveis e a absorção de conhecimentos vários se tornam cada vez mais difíceis dada a velocidade com que ocorrem. Ou seja, o obsoletismo está a tomar conta de nossas ações levando-nos a agir e reagir quase que por impulso (e emocionalmente) dada nossa incapacidade de compreender as mutações a uma celeridade para a qual não estamos preparados.

Estamos a viver o dia-a-dia, hora-a-hora, como que tomados de um eterno frenesi na busca de realizações e conquistas materiais sem tempo para “digerir” e discernir o que está colocado à nossa disposição.

Não por outra razão, a espécie terá que encontrar uma fórmula para se reinventar, eis que o caldeirão dos conflitos e incompreensões está a ferver. E também, quem sabe, aguardar a viagem – de ida – para Marte.

Quem sabe?