Há oito anos publiquei esta crônica em minha coluna no JC Holambra e em meu site Ponderando. Agora, atendendo a pedidos, ei-la novamente aqui:

“Sempre fui fã de cachorros. Meus filhos cresceram tutelados por cadelas Boxer. Amorosas e guardiãs dos pequenos, incrivelmente dóceis, se comportavam como membros da família. Todas foram educadas para conviver com visitas. Não ladravam por qualquer barulhinho e jamais infernizaram vizinhos com seus latidos de dia ou à noite. Apenas em situações extremas.

Ensinar boas maneiras aos cães é como fazê-lo aos filhos. Dá trabalho, exige persistência, tolerância e dedicação. São animais sociais e, portanto, o resultado final do treinamento é extremamente gratificante. E por mais incrível que pareça ajudam, também, a criar bons hábitos na socialização das crianças.

A “pet mania” vem de longe. Uns adquirem animais por pensarem em segurança, outros para não se sentirem solitários, outros mais por não resistirem à graça de um filhote. Acredito, piamente, que a condição sine qua non para alguém adquirir um canino é ser… cachorreiro! Ou seja: possuir um grande amor pelo animal.

Não raro, as pessoas se encantam com filhotes, compram-nos como se fossem de pelúcia e com o decorrer do tempo não têm a devida paciência para criá-los e treiná-los. Quando pequenos, gostam de danificar móveis, tapetes, sapatos e jardins. É quando devem entrar a paciência e a perseverança para educá-los. Como fazemos – ou fizemos – com nossos filhos que ao crescerem aprontam e contam sempre com nossa compreensão e carinho. Com os animais, infelizmente, nem sempre é assim e muitos terminam por abandoná-los até mesmo à própria sorte. Uma verdadeira cachorrice!

Cão e dono vivem em harmonia porque se respeitam e têm ternura um pelo outro. Difícil mesmo é conviver com aqueles donos que por não saberem – ou não quererem – se dar ao trabalho de educá-los contribuem para o desassossego alheio. Ressalte-se que não existem cachorros mal-educados, mas sim… proprietários.

Desavenças sérias entre vizinhos podem ocorrer por falta de educação dos donos ou de seus animais. Mas bom senso e compreensão são – sempre – os ingredientes básicos para uma convivência em harmonia. Afinal, os seus direitos terminam onde começam os deles.

Assim, ame o seu vizinho como ama o seu cachorro.

Au! Au! Au! Com direito a lambida (do seu cachorro)!

Em tempo: Este artigo não é dedicado a nenhum de meus vizinhos. Todos cachorreiros de coração!”