Segundo nos revela a história, a data a ser celebrada no próximo domingo “surgiu em virtude do sofrimento de uma americana que, após perder a mãe, passou por um processo depressivo. As amigas mais próximas de Anna M. Jarvis, para livrá-la de tal sofrimento, fizeram uma homenagem para sua mãe, que havia trabalhado na guerra civil do país, os Estados Unidos da América. A festa fez tanto sucesso que, em 1914, o presidente Thomas Woodrow Wilson oficializou a data e a comemoração se difundiu pelo mundo afora”.

No Brasil, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas oficializou, também, o segundo domingo de maio como aquele para prestar homenagens às mães. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou, igualmente, que essa data fizesse parte do calendário oficial da Igreja Católica.

Com o passar do tempo, a história ficou para trás. Passou a ser uma data importante para o comércio que a explora através de campanhas publicitárias intensas não permitindo que alguém fique de fora.

Uma das mais belas frases que já tive oportunidade de ler sobre mãe, que nada tem a ver com Dia em questão, é esta escrita por Rajneesh: “No momento em que uma criança nasce a mãe também nasce. Ela nunca existiu antes. A mulher existia, mas a mãe, nunca. Uma mãe é algo absolutamente novo”.

Este pensamento, profundo a meu ver, revela cristalinamente a primordial diferença entre um pai e uma mãe. As mães permanecem à frente do dos pais, durante toda a vida de seus filhos, a começar por ser a primeira a tomar conhecimento da concepção. Além de dar-lhes vida, cedendo-lhes parte da sua por nove meses, surgem como as fadas dos contos, extrapolando seu papel de serem simplesmente mulheres. Nós homens – e mesmo pais, muitos – não temos a menor noção do que significa gestar no sentido lato do termo. Somos a centelha que inicia um processo mágico de transformação, mas não mais que coadjuvantes, espectadores apaixonados, orgulhosos como espécie.

Não há como presentear nossas mães biológicas e aquelas de nossos filhos, sem nos lembrarmos daquelas que não o são. Estas merecem estar, também, no topo do pódio. Tanto umas como outras, estou certo, anseiam, mais que lembranças compradas em lojas, por lembranças diárias vindas do coração, por palavras, gestos, afagos e até mesmo simples olhares.

Aquela que lhe permitiu estar aqui e agora pode estar presente apenas na saudade. Aproveite o domingo e todo o tempo que lhes resta, durante o ano todo, para lembrar que você simplesmente respira porque alguém, algum dia, lhe concedeu o privilégio de viver.

Não há dinheiro que compre o incomprável.