Muito se tem escrito, discutido, analisado sobre o tema envelhecimento. É assunto presente na medicina, na filosofia, na religião. Desperta interesse nos especialistas, estudiosos e leigos que procuram explicações e motivações para entender e retardar o inexorável processo – irreversível – de que no universo tudo tem princípio, meio e fim.

Agrada-me, em especial, uma das inúmeras definições encontradas no dicionário Houaiss: “envelhecer é perder o viço, o frescor, o brilho, o colorido.” Não poderia ser mais singela a imagem dessa realidade.

Em nossas vidas, procuramos fazer uso de todos os recursos para prolongar a vitalidade de nossos corpos e mentes. Estão disponíveis na medicina, farmácias, indústria de cosméticos, academias, práticas de meditação, exercícios sistemáticos que envolvem postura e respiração, entre tantos.

Fomos educados, desde sempre, para privilegiar a vaidade e não necessariamente o bem-estar e o conforto em nossas vidas no dia-a-dia. E o preço, sabemos todos, não é irrisório. Dificilmente estamos em sintonia com os momentos presentes, vagando em projeções e regressões que mascaram a realidade sendo vivida. Não por outra razão este é o caminho mais curto para acumular decepções e frustrações.

Poucos de nós, quero crer, estão aptos a conviver, tranquilamente, com a verdade inconteste – sem qualquer subterfúgio – de que estamos permanentemente envelhecendo, não importa o estágio presente. O espelho não nos deixa mentir, faz tempo, e as “mensagens” transmitidas pelo corpo e pela mente nunca são enganosas.

É saudável, sob todos os pontos de vista, encarar-se a realidade; assim como minimizar os efeitos destrutivos do tempo privilegiando a qualidade de vida no sentido lato. Qualidade que não se restringe aos hábitos vários e conhecidos, mas sim e também à forma de fazer frente a cada instante que pode ser luminoso ou escuro.

Pode parecer estranho, mas estas considerações estão sendo feitas para que eu mesmo possa – também – ponderar e considerar revisões em minhas atitudes diante de tudo que aqui foi dito. Afinal, estamos todos no mesmo barco. Cada um apreciando a paisagem a seu modo e aguardando o momento de desembarcar.

Bon Voyage!