A negociação para pôr fim à recente greve dos caminhoneiros foi uma clara demonstração do primarismo com que o governo federal trata os assuntos de relevância nacional. Habituado a se recompor politicamente na base do toma lá de cá, vendendo cargos de direção em empresas estatais a políticos protegidos pelo manto do foro privilegiado, sua incompetência para negociar com profissionais – escaldados e astutos – beirou a galhofa.

Convém lembrar que entre os membros do gabinete de crise, em Brasília, estava o interlocutor do Planalto com os representantes dos grevistas, ministro-chefe da Secretaria do Governo, Carlos Marun: aquele que foi ardoroso e combativo defensor do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ao tempo em este teve sua cassação aprovada pelo Conselho de Ética daquela Casa…Belo espécime!

Registre-se, ainda, que representantes das entidades de transportes alertaram o Planalto, por três vezes – em outubro do ano passado, início de fevereiro e, por último, em 21 de maio sobre a necessidade de sentar-se à mesa para discutir pendências relativas ao preço do óleo diesel que, segundo elas, estaria inviabilizando, comercialmente, o transporte de mercadorias. Letra morta!

A demora em agir – com a paralisação já em andamento e o desprezo pelos alertas emitidos – levou o país a enfrentar uma de suas piores crises de desabastecimento nas áreas de energia, saúde, alimentação, insumos, transportes terrestres e aéreo. Caos!

Negociando como amadores, o governo fez concessões muito além das reivindicadas pelos grevistas. E obrigado a arcar com despesas, não orçadas, no valor de 13.5 bilhões de reais até o fim do ano. Custos da inépcia que comprometerão, inevitavelmente, a retomada – ainda que tímida – da economia brasileira. E a conta é nossa!

Não há como esperar por soluções mágicas para os múltiplos e gravíssimos problemas enfrentados pelo país. Somos prisioneiros de um Executivo refém de si mesmo – cercado por corruptos de todos os lados – de um Legislativo viciado, comprometido com a roubalheira instalada e, ainda, de um Judiciário claudicante que, em seu mais alto nível compactua, como bem lembra o Ministro Luís Roberto Barroso, do STF, com uma “minoria muito bem protegida que a despeito de desviarem milhões e manterem contas no exterior são libertadas a granel”. Uma pintura!

Mas deve vir mais por aí: a Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade sindical que representa os funcionários da Petrobras, decidiu deflagrar uma “greve nacional de advertência”. Vai durar 72 horas. Os braços serão cruzados na virada de terça para quarta-feira, dia 30 de maio.

Apesar de tudo, não é por aí!