A recente greve dos caminhoneiros veio descortinar o ambiente sombrio que há muito pairava sobre os céus de Brasília. E, naturalmente, expôs a chaga do populismo que se pretende reinstalar no país, quando tapar o sol com a peneira é mais fácil (e conveniente) que enfrentar a realidade que nos impinge a aceitar Contos da Carochinha e verdades como a do nariz de Pinóquio.

Os caminhoneiros armaram o bote para cima de um governo prestes a receber a extrema-unção que abriu as burras do Tesouro Nacional com se dele fosse proprietário.

Com a reivindicação (aceita sem contestação pelos mágicos do Planalto) para redefinir o preço do óleo diesel, gasolina e GLP parecem estar na fila da vez. E como já se vislumbrava no horizonte, o patinho feio dessa história tem nome e sobrenome: Pedro Parente, ex-presidente da companhia.

Depois de dois anos à frente da Petrobras, colocou-a nos eixos mediante uma gestão profissional responsável e competente – sem recorrer a um centavo, sequer, do Tesouro Nacional (aquele que é seu credor). Mas foi responsabilizado pelo rigor de sua administração que – lembre-se – ao assumir encontrou uma empresa dilapidada e despencado 386 posições no ranking das maiores empresas do mundo ocupando, então, a 416ª posição… distante da 20ª em 2013.

Mas este é um país que desdenha, há 40 anos, qualquer planejamento estratégico e privilegia o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário que possui apenas 15% da estrutura de transportes no Brasil. Não surpreende, pois, que neste Brasil de dimensões continentais a predominância é do ineficiente e oneroso transporte rodoviário que representa 65% do total. Haja diesel!

Mais conveniente, portanto, responsabilizar-se os preços praticados pela Petrobras pelo caos instalado. Como produtora e exportadora de óleo cru e derivados, sua política de preços – que colaboraram para a recuperação financeira da companhia – sempre estiveram em conformidade com parâmetros do mercado internacional.

Olhares mais atentos – e isentos – poderiam ou deveriam, quem sabe, observar que o verdadeiro vilão de nossa economia de terra arrasada é a extorsiva carga tributária que governo federal, estados e municípios cobram da sociedade.

Mas reduza-se o número de ministérios e servidores públicos federais (mais de 2 milhões); eliminem-se os privilégios nababescos a ex-presidentes da República, parlamentares e funcionários públicos; exija-se a revisão da jornada de trabalho para congressistas que comparecem a Brasília (acredite) apenas 4 meses por ano. Vão sobrar recursos!

E deixem a Petrobras trabalhar sem paternalismos.

A questão é: quem vai colocar o guizo no gato?