A Croácia é vice-campeã da Copa do Mundo FIFA. Feito inédito para um país independente há apenas 27 anos. Com cerca de 4 milhões de habitantes, esse pequeno Estado na fronteira dos Bálcãs receberá pela “façanha” US$ 29,5 milhões (R$ 113,5 milhões). A seleção francesa – campeã – por seu turno, US$ 39,5 milhões (R$ 152,1 milhões). Números que impressionam.

Em realidade, todas as 32 seleções que disputaram o torneio receberão alguns milhões de dólares por sua participação. As que menos receberão – grupo em que se inserem desde a Alemanha até a Islândia, passando por Arábia Saudita e Senegal – serão “recompensadas” com singelos US$ 9,5 milhões cada. Brasil: US$ 17,5 milhões (R$ 67,6 milhões).

Não me dei ao trabalho de fazer as contas, mas as cifras dão uma demonstração inequívoca de como o antigamente chamado “esporte bretão” é, na realidade, um negócio de bilhões de dólares.

A verdade é que o futebol se tornou um “big business”. Nas últimas décadas investidores do mundo inteiro – principalmente árabes e asiáticos – se tornaram proprietários de tradicionais clubes como Manchester United, Chelsea, Manchester City, Leicester City, Tottenham e Arsenal (Inglaterra), Rennes, Monaco e PSG (França), Milan e Inter de Milão (Itália), Celtic (Escócia), Los Angeles Galaxy (EUA).

Não há como se surpreender, portanto, com as cifras astronômicas dos produtos desenvolvidos e comercializados que visam tornar os investimentos cada vez mais rentáveis. Claro que estamos falando de produtos de “grife” – jogadores de futebol – que apesar de multimilionários (muitos) dão, por outro lado, um elevado retorno aos investimentos de empresários, patrocinadores, mídia publicitária, redes de televisão, indústrias diversas.

Mas assim é o mundo da bola dos tempos atuais. Um descompasso com a realidade vivida pela maior parte de populações sofridas com a escassez de alimentos, de educação, de saneamento básico, de saúde, de segurança.

Entenda-se que não condeno o futebol profissional como tal. Condeno, sim, a magnitude de recursos que o “esporte” trouxe para tão poucos neste planeta que já conta com 7.5 bilhões de terráqueos entre boleiros e sobreviventes.

Mas fiquei feliz com a digna e heroica participação da pequena Croácia no Mundial. Sua campanha aguerrida deu uma demonstração de superação física e técnica, amor ao país, humildade na celebração inédita em sua história.

E enquanto franceses e adeptos celebravam com champanhe, por aqui, modestamente, festejei com “strukle” (rolos de queijo cottage) regada a “pivo’ (cerveja) e arrematado, ao final, com Maraska Maraschino.

“Čestitam Hrvatske. Hvala”! (Parabéns Croácia. Valeu)!