Tempo é a duração relativa de qualquer coisa que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro. Está disponível para todos de forma democrática e o que fazemos com ele é que nos torna diferenciados.

Os anos avançam enquanto o desenvolvimento tecnológico – sem precedentes – coloca à nossa disposição meios para que possamos, inclusive, usufruir de uma qualidade de vida superior com oferta de mais tempo para melhor desfrutarmos de tudo: menos ônus em nossas obrigações diárias e mais bônus como consequência das descobertas.

Mas sabemos que, infelizmente, não é bem assim que funciona. Um exemplo é a automação, que deveria reduzir a sobrecarga nas atividades repetitivas e/ou manuais pelo ser humano, mas que cobra seu preço com a redução de mão de obra disponível e o desemprego. Qual a contrapartida?

O tempo ganho com a evolução tecnológica não tem sido utilizado pelo homem para viver uma nova condição que lhe permita usufruir de mais lazer, maior contato com a família, mais encontro consigo mesmo. No entanto, a “máquina” que impulsiona este processo é a única a contabilizar maiores lucros no afã de reduzir custos operacionais, aumentar ganhos em produtividade, expandir negócios (via fusões) fazendo com que 1+1 seja igual a 1.5!

Na segunda metade do século passado surgiu aquele que revolucionaria o modo como nos relacionamos: o celular. A “ferramenta” de utilidade inquestionável – que se tornou muito mais que um telefone – tem tornado as pessoas mais individualistas onde quer que elas se encontrem. E, definitiva e crescentemente, viciadas em aplicativos que as levem a um questionável e discutível relacionamento social amorfo e, porque não, até mesmo ao isolamento.

Conversar olho no olho, “sentir o clima” de afeto ou descontentamento sem interferência de imogis, entregar-se ao contato pessoal onde sentimentos ficam expressos sem reações robóticas, ouvir a voz em uma interlocução, parecem fazer parte de um passado não tão distante.         

Sabemos que muito mais – em avanço tecnológico – está a caminho, celeremente. Parece que a automação, ao invés de apenas tornar nossas vidas mais fáceis e amenas, está nos robotizando!

O distanciamento progressivo da natureza e das relações humanas diretas estão transformando as sociedades em seres escravizados por uma tecnologia que – como o ópio – embota nossos cérebros.

O desafio maior é como compensar todos os inúmeros e indiscutíveis benefícios trazidos pela revolução tecnológica – em franco andamento e irreversível – preservando nossa natureza desde o embrião.

Antes que nos tornemos verdadeiros ”androides”.