O salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal é hoje de R$ 33.700. Acresça-se que entre benefícios vários – a que os doutos que vestem togas têm direito – está o auxílio-moradia de R$ 4.377; ou seja, mais de duas vezes o valor de minha aposentadoria depois de haver contribuído – pelo máximo – durante 35 anos.

Os meus rendimentos sempre foram fixados pelo salário mínimo – hoje em R$ 954,00 – e correspondem a 2,5 SM. Convém lembrar, no entanto, que anos atrás ele correspondia a 5x o dito, mas – fruto de políticas desastrosas e de governos não menos – o resultado aí está.

Insatisfeitas com os atuais ganhos e mordomias, vossas excelências do STF aprovaram, semana retrasada, um reajuste de 16,38% nos próprios salários. Reajuste este proposto por S.Exa. Ministro Ricardo Lewandowski.

Assim, o salário de um ministro do STF poderá vir a ser de R$ 39.300  caso o Legislativo venha a aprovar a proposta. Trocado em miúdos: salário de 41,2 salários mínimos… por mês. E o honorável proponente ainda justifica que, pasme: “magistrados aposentados e pensionistas, que perdem cerca de 40% de seu rendimento, vivem hoje em situação de penúria”.

Excelência, data venia, poupe-nos! Não insulte nossa inteligência!

Deveria envergonhar-se, pois como bem sabe, na Suécia o salário de um juiz da Suprema Corte, descontados os impostos, é de 100 mil coroas, recebendo em valores líquidos o equivalente a cerca de R$ 18.200 por mês. O de um deputado do Parlamento é apenas 50% maior que aquele de um professor primário: todos vivem em apartamentos funcionais que têm em média 45,6 m². Não aumentam seus próprios salários, sem direito a carros oficiais com motorista, sem indenização de férias que por aqui são de 60 dias, sem garçons e cafezinhos. sem pensão vitalícia. Ora, direis vós, nós não somos a Suécia. O que somos, então?

E fica a pergunta, ingênua: porque somente os aposentados pelo INSS, têm seus rendimentos corrigidos pelo salário mínimo? Por que, a julgar pelas insistentes notícias, a Previdência Social está quebrada sem poder adequar as aposentadorias à realidade que vivemos enquanto que beneficiários de polpudos e intocáveis aposentadorias dispõem de recursos para bancá-los. De onde vem o dinheiro?

E nunca é demais lembrar: enquanto o benefício médio pago pelo INSS é de R$ 1.862, um aposentado do Congresso ganha, “em média”, R$ 28.527  e o do Judiciário, R$ 25.832 . Entre os três poderes, a menor aposentadoria média é a dos funcionários do Executivo, R$ 7.499. Já os militares ganham, em média, R$ 9.479 de aposentadoria.

Nem Freud explica!

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