A Fundação Procon – SP ensinou noções básicas de direitos do consumidor para crianças. Na terça feira (21) um trailer que reproduzia um mercado ficou estacionado na Zona Sul de SP e cumpriu sua missão.

Em se tratando de Brasil e formação de jovens, qualquer pingo d´água é inundação! Orientação, formação, educação caminham juntas transformando – para o bem ou para mal – o perfil de qualquer sociedade: por sua presença ou ausência. A Fundação deu sua colaboração!

Recursos para desenvolver os diversos estratos do país – sociais, econômicos, educacionais – veem sendo desviados há décadas (ou séculos) para as contas do submundo político brasileiro. Tivemos o pai rico (Portugal), conhecemos o filho nobre (Império) e convivemos, desde então, como o neto pobre incapaz de dar a volta por cima.

Não raro, portanto, abordo o assunto educação com alguma veemência. Abnegados dedicados à causa de formar jovens para uma sociedade mais justa em termos culturais esbarram na miopia de um Estado falido que se apresenta com 70% de analfabetos funcionais.

Aprender, desde cedo, o que é ser um consumidor criterioso, entender sua importância em relação à atividade econômica que o cercará por toda a vida, reconhecer e exigir seus direitos frente a todo tipo de atividade econômica (inclusive a desonesta) deveriam fazer parte de qualquer “currículo social”, já que isso parece não estar inserido  no contexto escolar.

A iniciativa do Procon-SP surge como a ponta do iceberg neste Ártico que é o Brasil em termos de formação educacional e cultural. Na escola, disciplinas engessadas, obrigatórias muitas, poderiam abrir mais espaço em seus currículos visando oferecer exposição maior ao “mundo real” a exemplo da oportuna iniciativa da fundação organizacional em questão.

Por aqui, imaginar-se que apenas o Estado seja capaz de suprir as flagrantes necessidades é utopia. Como já aludi, recentemente, cabe à “sociedade civil” ser partícipe incondicional no processo de vitalizar a educação pública e privada.

Bem poderíamos nos espelhar na Coreia do Sul, país arrasado pela pobreza há apenas 50 anos e que se transformou em desenvolvido – potência tecnológica – privilegiando a Educação como carro-chefe. E acredite se quiser: àquela época, no ranking global de desenvolvimento, o Brasil aparecia na frente e a renda anual dos brasileiros era duas vezes maior que a dos coreanos.

Assim, se por obra do destino houver uma séria e responsável reformulação da política educacional brasileira a partir de agora, daqui a 50 anos – duas gerações, portanto – quem sabe possam os sobreviventes viver em um país antítese do atual.

Obrigado por ler.