” Mas você foi dirigindo?”

Esta indagação me foi feita por uma interlocutora após comentário de que havia retornado de uma pequena viagem de 190 km, ida-e-volta.

Pus-me a processar o questionamento tentando entender a pergunta. Feita com tanta naturalidade, a indagação deixava no ar uma espécie de preocupação com o amigo dileto.

Mas preocupação com o que? Dei-me conta de que o interesse só poderia estar vinculado ao carinho com a minha idade. Ponderando sobre essa questão de ”tempo de vida”, mais tarde e enquanto ouvia os passarinhos no jardim, lembrei-me de um espetacular vídeo que, recentemente, compartilhei com amigos.

A protagonista, ninguém menos que Eileen Kramer, bailarina clássica e coreógrafa australiana que dedicou sua vida ao balé. Um exemplo virtuoso de vida e arte, que aos 103 anos continua ensinando dança. Aproveito a oportunidade para convidá-lo(a) a assistir ao vídeo com essa extraordinária mulher (https://www.facebook.com/abcnews.au/videos/103-year-old-dancer-eileen-kramer/10156781898129908/) e ponderar sobre o que você faz com sua vida no estágio atual.

O processo natural do envelhecimento – que em tantos desperta ansiedade – abarca a tudo e a todos sem exceção. Exemplos como os de Eileen são poucos, mas não raros. Afinal, a humanidade está ficando mais longeva graças ao desenvolvimento tecnológico na área da saúde, mas não mais sábia em relação à sua própria maneira de viver.

Inegável que ansiamos, todos, por uma melhor qualidade de vida, não sendo poucos os que vêm dando maior e melhor atenção aos cuidados com seu corpo e alimentação. Aos mais privilegiados pela genética o prêmio é maior. Há que se considerar, no entanto, que – como tudo aliás – a vida é um processo de transformação permanente e inexorável, com princípio, meio e fim.

Não somos muito afeitos a aceitar esse ciclo naturalmente. Tendemos a nos julgar imortais ainda que, racionalmente, saibamos não ser esta uma verdade. Agrada-me pensar que deveríamos, sem exceção, nos mantermos vivos – na acepção da palavra – conscientes de nossa finitude e, portanto, capazes de realizações que vão muito além das obrigações diárias enquanto por aqui.   

Desde o momento em que nos entendemos por gente vivemos de objetivos e desafios. Mas com a idade avançando – para muitos – a luminosidade tende a perder brilho tornando o resto da jornada penosa. Não importam os anos vividos.

Verdade que é difícil escapar-se de estereótipos estimulados por costumes, mercado consumidor e mídias. Por isso, exemplos como os de Eileen merecem reflexão e podem servir de contrapeso.

Afinal, você é dono(a) de sua vida. Ou deveria ser!

Obrigado por ler.