O domingo passado (07) terminou com o encerramento da primeira fase das eleições para candidatos à presidência da República e governos estaduais. Não foram poucas as surpresas com o redesenho do perfil político do país. De agora em diante estaremos assistindo, e participando – ainda que involuntariamente – de um novo e desconhecido cenário. Uma incógnita, qualquer que seja o resultado do segundo turno dentro de três semanas.

Afinal, 29.9 milhões de eleitores aptos a votar não o fizeram (20.32%) e outros 10 milhões votaram em branco ou anularam o voto (8.8%).

Ainda assim, nomes tradicionais da política brasileira, ex-ministros, ex-governadores e senadores que disputavam a reeleição, não se elegeram. Uma “varredura” jamais vivenciada! A tecnologia da informação, colocando as redes sociais à disposição da população e visando esclarecê-la sem imposições, prestou um grande serviço à sociedade colaborando para a “queda de máscaras”.

Não sobreviveram caciques vários de partidos influentes, inclusive a ex-presidente da República, Dilma Rousseff, que amargou um quarto lugar na tentativa de concorrer a uma vaga no Senado Federal por Minas Gerais. Um marco nessa eleição.

Outros, inclusive réus no Superior Tribunal Federal escaparam, eis que seus tentáculos ainda se estendem em águas turvas. E que, por enquanto, continuam protegidos pela capa da impunidade: o “foro privilegiado”. Mas não creio que conseguirão sobreviver daqui a quatro anos. Se é que – até lá – não terminarão julgados pela mão estendida da Lava-Jato.

Auspicioso o fato de que as eleições transcorreram em clima harmonioso, sem graves incidentes – apesar da inequívoca polarização entre ideias contrárias – e em uma demonstração clara que o povo começa a amadurecer politicamente. E que assim possa prosseguir.

Já entre os candidatos, durante os debates de propostas e defesa de ideais no 2º turno, espera-se que prevaleça a civilidade sem perda de estribeiras. O que este país menos precisa, neste conturbado momento, é de radicalismo.

Esboça-se, portanto, um novo mapa do Brasil marcado pela influência política que desponta. É certo que o país convive com um universo político insalubre. Não menos certo que seu Judiciário vem dando demonstrações de insegurança em decisões conflitantes nas instâncias várias colocando em xeque sua credibilidade. E, por fim, que a saúde econômica, na UTI, aguarda, ainda, por descobertas sob pesquisa no laboratório do Legislativo. Trabalho árduo à frente.

Estamos em uma viagem, apenas de ida, sem paraquedas. Assim, por favor, faça bom uso de seu título de eleitor e tenha uma boa votação no próximo dia 28. Previsão do tempo: ensolarado.

Obrigado por ler.